Em entrevista coletiva durante a Campos Party, em São Paulo, o ministro das Comunicações Paulo Bernardo se posicionou a respeito de alguns temas importantes da agenda política, como o edital das faixas de 450 MHz e de 2,5 GHz, que se encontra em fase final de consulta pública. A respeito do pedido do SindiTelebrasil, de desvinculação das duas faixas, Paulo Bernardo foi irônico. "Quando entrei no ministério, (o espectro de) 450 MHz era visto como uma coisa boa. Comentavam que era uma faixa boa para a área rural. Foi só começarmos a falar de licitação e disseram que não valia nada", disse. "Sinceramente, estou achando que poderemos ter surpresas nesse leilão (450 MHz), que teremos vários interessados nessa faixa. Há questões importantes a serem discutidas, é verdade, como quanto a operadora vai cobrar, se terá de conectar todas as escolas rurais, mas se tivermos de mudar alguma coisa, vamos mudar".
Na contramão dos 450 MHz, espectro muito criticado pelas operadoras, o 700 MHz parece ser um dos maiores objetos de desejo das teles. O ministro comentou o fato de alguns órgãos governamentais, como a Polícia Militar de São Paulo, pleitearem o espectro para o fornecimento de redes de quarta geração (LTE) sob o argumento da prestação de serviços públicos. "Todo mundo está de olho nos 700 MHz, até mesmo alguém que está nesta sala", brincou Paulo Bernardo, fazendo menção ao presidente da Telefônica, Antônio Carlos Valente, que o acompanhava por ocasião de sua participação no Campus Party. "Achamos que essa discussão ainda não está madura, por isso temos de ter mais parcimônia nesse tema e não vamos tomar nenhuma decisão no momento em que se discute o leilão do 2,5 GHz".
Smartphones e games
O ministro também salientou que o Minicom trabalha em parceria com algumas empresas, como a Intel, para desenvolver centros de desenvolvimento e fabricação de softwares e consoles de games. A ideia é aproveitar a criatividade do brasileiro nessa área que, segundo ele, é muito grande.
Sobre os smartphones, a expectativa é que nos próximos dias haja alguma definição sobre a inclusão desses dispositivos na Lei do Bem, que reduz impostos de fabricação, a exemplo do que já foi feito com os tablets. "Esse assunto está na ordem do dia e nos próximos dias teremos definições a respeito. Já consultamos a Fazenda (Ministério da Fazenda), mas estamos encontrando algumas dificuldades, pois, se tiver que reduzir um imposto, terá de haver alguma compensação. Estamos esbarrando nesse dispositivo. O governo agora está discutindo a programação orçamentária financeira e na sequência colocaremos essa questão para ser enviada ao Congresso".