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Priorizar tráfego de dados pode ajudar smart cities
sexta-feira, 7 de junho de 2013, 19h04



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Quando se fala no conceito de smart city, não é incomum pensar em soluções tecnológicas avançadas atreladas à ideia da comunicação máquina-a-máquina (M2M) nas grandes cidades para melhorar o ambiente urbano. Mas para o pesquisador do laboratório de pesquisa de experiências de usuários da Ericsson na Suécia, Cristian Norlin, o que leva inteligência às cidades não é a tecnologia. "Há várias coisas importantes, o dado em si não é útil, mas sim como se usa; e isso vem das pessoas", afirmou ele pouco antes de uma palestra no evento New Cities Summit nesta semana, em São Paulo. Para ele, entendendo quais são as informações importantes, pode-se priorizá-las na rede. "Big Data não é um conceito tão novo e temos todos esses dados técnicos em nossas redes, pois temos (a Ericsson) aproximadamente 50% de todas as redes móveis no mundo", diz.

No Brasil, esse desafio de lidar com informações não estruturadas é particularmente mais sensível. Norlin compara o tráfego de carros em São Paulo com o de Estocolmo, uma cidade menor e com muito menos habitantes – e veículos – do que a capital paulista. "Aqui é uma situação extrema que requer uma abordagem inteligente, e é o que vemos em iniciativas de saúde em universidades, em ônibus em Curitiba e no centro de operações no Rio de Janeiro", ressalta. "Eu acredito que é uma grande oportunidade de mostrar às pessoas como usar o Big Data para solucionar problemas."

O pesquisador afirma que um dos aspectos no qual o gerenciamento de dados poderia ser aplicado é na conectividade de automóveis. A Ericsson tem trabalhado com a Volvo na questão. "Quando falamos de transporte e carros, acho que há fortes oportunidades em entender como os veículos podem ser aperfeiçoados, mais amigáveis e seguros. Eles podem detectar animais próximos às estradas e avisar a outros carros 5 km distantes", exemplifica. Obviamente, o conceito de avaliar quais dados são relevantes para quem em uma situação dessas impediria que houvesse uma avalanche desnecessária de avisos aos motoristas.

De qualquer forma, as soluções M2M, aliadas ao gerenciamento adequado de dados, poderiam ajudar na organização do tráfego de automóveis, mas não eliminariam as distâncias percorridas por habitantes de uma grande cidade como São Paulo. Assim, uma solução seria tornar o itinerário das pessoas mais produtivo, em vez de confina-las em esquemas de home-office por conta da má infraestrutura de transporte. A ideia dele é montar redes ad-hoc em grupos utilizando tecnologias de rede móvel, como 4G e mesmo o futuro 5G, utilizando tráfego com prioridade.

Neutralidade

Mas isso toca na neutralidade de rede. Para Cristian Norlin, a privacidade e a visibilidade do tráfego não são aspectos "estáticos". Na visão dele, é possível optar por ceder informações em troca de um bem maior. "Na África, um grupo de cientistas tem permissão da população de ler as mensagens trocadas para identificar se a malária está se espalhando. Eu vivo na Suécia e isso me incomodaria, mas não sofro com essa doença. Então essa troca é fácil para algumas pessoas, é uma triste verdade. De outra forma, eu daria alegremente informações para o (aplicativo de tráfego) Waze. Privacidade não é um Big Brother, é algo negociável. Ele lembra que há conversas sobre legislação nos Estados Unidos e Europa para tratar do assunto, mas, apesar de mostrar otimismo, reconhece que há preocupações. "Você precisa ser aberto, permitir às pessoas um opt-out, mas o que fazem com o dado e o valor que estão ganhando com isso é importante", pondera.

Bruno do Amaral
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