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Citibank admite que está no controle da Brasil Telecom
terça-feira, 10 de fevereiro de 2004, 12h23

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Mais uma prova de que o Citibank é muito mais poderoso dentro da Brasil Telecom do que informa esta operadora e o Opportunity, seu controlador. Foi um advogado do Citi no Brasil, Manoel Francisco Rocha, quem assinou, em 1998, o acordo de acionistas original de constituição da Solpart (controladora da BrT) como procurador da empresa CSH LLC CSH Units.

"Fui procurador a pedido de Nova York. Procurador justamente para o ato. Não participei da negociação nem nada. Como eles precisavam de uma pessoa para assinar o contrato, o pessoal de Nova York que apreciou a operação mandou um email para mim dizendo 'olha, Manoel, você é o procurador, você é advogado interno do Citigroup, então você vai nos representar na assinatura desse ato'. Foi só aí que eu participei", diz Manoel Francisco Rocha, ainda hoje advogado do Citi no Brasil. A sede do Citibank e do Citicorp Venture Capital (CVC) é em Nova York.

Na complexa cadeia societária da Brasil Telecom, a CSH LLC, pela qual o advogado do Citi assina, aparece no último nível. Ela é controladora da empresa Telecom Holdings S/A, que por sua vez é detentora de um terço das ações da Timepart Participações Ltda, que por sua vez tem 62% das ações ordinárias da Solpart, controladora da empresa de telefonia. Nos documentos oficiais, o máximo que a Brasil Telecom faz é dizer: "Telecom Holding S.A. é, pelo que é de nosso conhecimento, controlada por CHS LLC e CSH Units. CSH LLC e CSH Units são controladas pelos membros da família Woog". Essa afirmação é feita no formulário 20-F registrado na Securities and Exchange Commission (SEC), nos EUA. Ou seja, a BrT não informa à SEC que o CVC é controlador da CSH.

A assinatura de Manoel Rocha aparece também como procurador da CSH LLC na ata da AGE da Telecom Holdings S/A de 11 de agosto de 1998, ao lado das assinaturas de Luiz Leonardo Cantidiano (atual presidente da CVM), Maria Lúcia Cantidiano e André Cantidiano Ribeiro. Estes três advogados são sócios do escritório Motta, Fernandes Rocha Advogados. "Ele (Cantidiano) assina já como consultor externo", diz o advogado do Citi. "Não tenho comigo esse documento", diz Manoel Rocha, acrescentando, entretanto, que se lembra de ter assinado a ata. "Na ocasião me pediram que representasse, foi mandada a procuração, eu me cobri com os emails internos para cumprir o procedimento da minha organização e simplesmente os representei".

TELETIME News conferiu as assinaturas do procurador da CSH na ata da AGE da Telecom Holdings com outros documentos em que Manoel Ribeiro assina e constatou a semelhança entre elas.



Ordem de NY



TELETIME News pediu a Manoel Rocha que confirmasse se a determinação de fato veio do Citibank nos EUA. "É, por um determinação do Citi lá de fora. Na verdade, eu não sei...veio a determinação do fundo... não é o Citibank propriamente, é o CVC, que é ligado ao Citigroup", completa. "Na verdade mandaram uma pessoa do CVC, que era a Mary Lynn Putney, que era uma pessoa ligada ao Citigroup que coordenava essa atividade, ela mandou um email. O advogado externo acabou litigando com a empresa e declinou do mandato e eles precisavam simplesmente de alguém para assinar o ato. Eu era o único que não estava em férias e acabei assinando. Caí de pára-quedas nesse 'deal'", diz o advogado.

A mesma ligação entre o Citibank e a CSH, que indiretamente é controladora da Timepart Participações Ltda, já havia sido comprovada por TELETIME News por uma série de documentos registrados na SEC e na Arizona Corporation Commission, uma espécie de junta comercial do Arizona onde a CSH está registrada. O Citibank não quis fazer comentários sobre esta sua participação na Brasil Telecom.

Para a Telecom Italia e para os fundos de pensão, que são os sócios do Opportunity na BrT, o Citi participava da empresa apenas como investidor do fundo CVC/Opportunity Equity Partners LP. Trata-se de um fundo baseado em Cayman que tem o grupo de Daniel Dantas como gestor. O CVC/Opportunity é, ao lado dos fundos de pensão, controlador da Techold S/A, que também é acionista da Solpart. Techold e Timepart são peças centrais do Opportunity na briga com a Telecom Italia, que deseja voltar ao bloco de controle da Brasil Telecom.
Rubens Glasberg e Samuel Possebon
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