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"O fio de cobre vai derreter", diz Marcio Carvalho, da Net
quinta-feira, 12 de agosto de 2010, 18h03

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A recente decisão da Anatel, de reduzir de 190 MHz para 50 MHz o espaço ocupado pelas empresas de TV por assinatura em MMDS e destinar esse espectro para as empresas de telefonia móvel causou polêmica no primeiro painel do último dia da ABTA. O presidente da Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA), Alexandre Annenberg, aproveitou a presença do presidente da Telebrás, Rogério Santanna, para se queixar da decisão da agência. "Essa medida da Anatel está na contramão de um plano nacional de massificação da banda larga. A plataforma MMDS poderia ser a solução para levar pay tv e banda larga de uma forma que as soluções das teles móveis levarão anos para prover", disse.

Santanna, no entanto, crê que a telefonia móvel tem um papel importante na universalização da banda larga. "Há um espectro ocioso (na faixa de 2,5 GHz), que acabou não se materializando em serviços para o usuário, assim como existe uma demanda mundial por espectro. A possibilidade de termos mais soluções wireless para ampliar a última milha é fundamental", disse, ressaltando que ele não tem como falar pela Anatel e que a agência, provavelmente, tem estudos para ter tomado a decisão que tomou.

Em linha com Santanna, o consultor Carlos Kirjner, um dos idealizadores do plano de banda larga americano, afirmou que a mobilidade é a bola da vez. "As pessoas valorizam mais a conexão móvel em seus smartphones e iPads do que links de 40 Mbps ou 50 Mbps", disse .

O contra-ataque veio com Marcio Carvalho, diretor da NET, que concorda que a mobilidade é importante, mas aposta que na era de convergência de serviços, onde o vídeo se destacará como o principal serviço, os links de maior capacidade prevalecerão. "O fio de cobre vai derreter, pois não vai conseguir entregar tudo", disse.

Para Kirjner, é impossível estabelecer um cenário competitivo apenas com fibra, por outro lado a telefonia móvel consegue entregar 5 Mbps ao assinante e atendê-lo nos próximos cinco anos. Carvalho, no entanto, alerta. "A demanda do futuro não será a mesma de hoje".
Daniel Machado
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