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  EDIÇÃO #150 - ANO 14 - DEZEMBRO/2011
EDITORIAL
O (primeiro) ano da banda larga

Essa edição 150 de TELETIME fecha os nossos trabalhos ao longo de 2011. Foi um ano que começou com a posse de um novo governo e uma prioridade colocada pelo ministro Paulo Bernardo em seu discurso de posse: a prioridade seria a banda larga. Do ponto de vista político, foi isso o que aconteceu. Começando com as negociações em torno das metas de universalização, que giraram sobre a questão da banda larga, passando pelo novo marco legal da TV por assinatura, a Lei 12.485/2011, que veio com a promessa de impulsionar as redes de banda larga, passando pelas metas de qualidade na banda larga fixa e móvel, os debates sobre as novas regras para o Serviço de Comunicação Multimídia, o Marco Civil da Internet enviado pelo Ministério da Justiça ao Congresso, a entrada da Telebras no mercado e os projetos de satélites e cabos submarinos... Tudo orbitou ao redor da banda larga. E será assim ainda por muitos anos. Nesse sentido, 2011 foi apenas uma amostra do que está por vir, já que algumas questões extremamente relevantes ainda estão pendentes e devem esquentar 2012.
   Começando pelo tema da reportagem de capa desta edição: a neutralidade de redes. Os jogadores estão apenas entrando em campo. Teles e empresas de infraestrutura de um lado, provedores de conteúdo e de Internet do outro, sociedade civil, fornecedores globais, todos terão que estar em posição em 2012, quando o debate deve esquentar no Congresso e na Anatel. Há alguns anos que destacamos esse tema em editoriais e matérias, mas agora a discussão sai do campo teórico e vai para a prática.
   O mesmo vale para as políticas de espectro, cada vez mais disputado e precioso e que coloca interesses e argumentos igualmente relevantes de lados opostos.
   Alheio aos meandros políticos, contudo, o mercado se desenvolve. Mais pessoas estão conectadas, mais pessoas têm TV por assinatura, mais pessoas falam ao telefone e a dinâmica de evolução das tecnologias de rede e, sobretudo, dos dispositivos, revolucionam diariamente os modelos de negócio. Já dissemos isso em outras ocasiões, mas nunca é demais repetir: nesse jogo competitivo, em que novos players entram no mercado de telecomunicações por todos os lados, cabe às teles tradicionais reinventar seus modelos, rever seus planos de investimento e sair da defensiva. É o que se impõe a elas em todo o mundo. Não há dúvida de que isso não significa que elas abandonarão o front regulatório, onde seus movimentos são quase sempre de defesa, e nem abrir mão de direitos conquistados. No debate sobre neutralidade, as teles têm uma argumentação sólida sobre a necessidade de preservar e viabilizar investimentos. Mas a batalha de opinião pública só será vencida se elas provarem que estão dispostas a renovar as suas redes em larga escala, com investimentos pesados, que precisam acontecer já, independente de como serão as regras no futuro.
   O próximo ano será de debates ainda mais acirrados em relação a todos os temas referentes à banda larga. Começando com as questões político/regulatórias, passando pelos modelos de negócio e pelas tecnologias. Mas uma coisa é certa: as pessoas continuarão buscando conexões melhores, mais rápidas, mais baratas e com mais conteúdos. E na regra de mercado, se existe essa demanda, alguém se encarregará de atendê-la.

Samuel Possebon
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