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  EDIÇÃO #150 - ANO 14 - DEZEMBRO/2011
PONTO & CONTRAPONTO
Um ano bom

É certo que 2011 foi um bom ano para o setor. As operadoras cresceram e fusões se consolidaram. Talvez a indústria tenha fornecido menos do que esperava e sem dúvida, no item terminais, perdemos a posição de liderança industrial continental, pois passamos a comprar mais do que vender.
Na frente política, o maior peso para o Ministério das Comunicações mostra um retorno de prestígio político ao setor, e assim espera-se que continue.
E 2012 será um ano melhor ainda para o setor, caso se confirmem os planos de expansão anunciados pelas operadoras, as obras relacionadas à Copa de 2014 e os novos leilões de espectro previstos para o primeiro semestre.
Além disso, as fusões e aquisições dos últimos anos entram em fase de estabilização. A reorganização da Telefônica com a incorporação da Vivo começa a mostrar suas tendências como organização e, com certeza, apesar de a Telefônica já operar de forma integrada em outros países, ainda decorrerá um longo período até que a estrutura organizanal aqui se adapte a um novo modelo de gestão e crie uma nova cultura, onde a operação fixa tradicional e de reflexos lentos possa conviver com a agilidade das operadoras móveis e com a introdução de novos serviços.
Já os mexicanos começam a se movimentar na direção de buscar sinergias de negócio, organização e investimentos. Reside aí uma incógnita, contudo, já que não têm esta experiência em nenhum dos mercados em que atuam, muito menos no México.
O Brasil agora é a bola da vez, a Europa está em crise e o nosso mercado pode ser uma saída para a estagnação de crescimento de operadores importantes no Velho Mundo. Poderemos ver fusões entre iguais ou mesmo aquisições de nicho, como vem fazendo a TIM, visando ampliar seu espectro de clientes ou presença em mercados específicos. No terreno dos fornecedores, parece que há tendência de calmaria, já que as grandes fusões já ocorreram e agora sobram pequenos ajustes. Os grandes vendors voltam a sua atenção para os serviços gerenciados, já que as margens de venda dos produtos está cada vez menor. Os prestadores de serviço, sem dúvida, terão uma oportunidade, pois continuam muito pulverizados e podem vir a buscar uma concentração maior para se adequar ao menor número de clientes, operadores e vendors no mercado.
A disputa pelos clientes de maior ARPU deve se acirrar com a entrada da Nextel com o serviço celular 3G, direcionada primordialmente aos clientes corporativos, seu mercado tradicional, isto no campo de disputa das operadoras.
Mas aí surgem as expectativas de lançar outros serviços baseados na nuvem para abocanhar mais uma fatia de negócios das grandes empresas, aumentando o tamanho do mercado corporativo. Por um lado, isto renova o debate: é esse um mercado das operadoras ou das empresas fornecedoras de soluções em nuvem? Ou ainda, há uma nova oportunidade para os fornecedores de equipamentos tradicionais?
Quanto aos fornecedores de equipamentos, há duas tendências claras: uma é a de aumentar sua presença em serviços, ampliando sua participação em gerenciamento de redes das operadoras; e outra é a de aumentar a oferta para o mercado corporativo.
E 2012 aparece como o ano em que as grandes definições para o cenário 4G vão acontecer, embora as redes 4G entrem no mercado mais para 2013.
Smartgrids aplicadas às redes elétricas permitirão uma evolução na direção das casas inteligentes. E começa uma migração mais consistente para IP em todas as tecnologias, colocando em perspectiva maiores volumes e bandas necessárias para os próximos anos. Paralelamente, torna-se crítica a questão de como rentabilizar o tráfego de dados para viabilizar os investimentos associados, e a busca de uma menor regulação associada a este tráfego gerido por autorizações, e não por concessões.
Seria bom se neste novo ano tivéssemos uma clara evolução da massificação da banda larga, com a participação de todos os agentes. E é desejável que os fundos destinados à universalização passassem a ser utilizados para fomentar e financiar o acesso da banda larga em lugar da voz.
Seria bom neste ano se a Telebras orientasse sua atuação no objetivo de sua recriação, trabalhando focada para o PNBL.
Seria bom se a qualidade do serviço das redes celulares melhorasse e que a cobertura fosse ao menos razoável, fazendo a Anatel a fiscalização que lhe cabe fazer.
Neutralidade de redes poderia deixar de ser um debate para ser uma solução de compartilhamento de infraestrutura em benefício dos investidores.
Que a sustentabilidade deixe de ser uma preocupação ou um mote político e que se transforme em um conjunto de princípios e ações que realmente ajudem o planeta.
Acreditamos pois, que pelas indicações vistas até agora, será um bom ano para o setor, se fatores de crise externa e fatores políticos que alterem o modelo adotado até agora não atrapalharem.

Cláudio Dascal
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