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CASO OPPORTUNITY
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Depoimentos de Dantas às CPIs e à PF não batem
quinta-feira, 22 de setembro de 2005, 5h29

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Daniel Dantas, que depôs na qualidade de informante às CPIs do Mensalão e dos Correios nesta quarta, 21, pode ter que dar novas explicações em função das suas declarações referentes ao caso Kroll. Dantas falou às CPIs munido de habeas corpus que o protegia de dar declarações que o incriminassem. Mas foi afirmativo ao falar que apenas teve conhecimento do conteúdo das investigações do caso Kroll em uma apresentação feita em Nova York, na sede do Citibank, e que foi orientado por seus advogados, quando a Brasil Telecom contratou a Kroll para fazer investigações, a não ter acesso aos conteúdos dos trabalhos. A mesma declaração foi dada ao jornal O Estado de S. Paulo na edição do mesmo dia do depoimento.

Acontece que, segundo apurou este noticiário, em depoimento à Polícia Federal referente à Operação Chacal (que apura justamente as investigações da Kroll), em abril deste ano, Dantas afirmou ter recebido relatório elaborado pela empresa de investigação possivelmente em 2000, e que nesse documento havia informações que poderiam embasar uma ação contra a Telecom Italia. Ele também admite pelo menos duas reuniões no Brasil com pessoas da Kroll, ocasiões em que foi questionado sobre a venda da CRT. Carla Cico, que também falou à PF, diz ainda ter havido uma reunião com a presença dela (Cico) e Dantas para tratar de questões contratuais com a Kroll. O ponto comum entre os depoimentos de Dantas à PF em abril e agora, às CPIs, é que em ambas as ocasiões ele diz que a Kroll fez uma apresentação em Nova York.

Outro fato ainda a ser esclarecido é que Dantas, em seu depoimento no Congresso Nacional, diz que a investigação da Kroll foi iniciada pela Brasil Telecom para apurar irregularidades na venda da CRT. Contudo, segundo levantamento deste noticiário junto a fontes seguras, não há, nos trabalhos da Kroll, referências ou esforços de investigação sobre a Telefônica, que pela lógica de Daniel Dantas foi a maior beneficiada do esquema de sobre-preço pago pela Telecom Italia pela empresa de telefonia do Rio Grande do Sul. Nas investigações da Polícia Federal descobriu-se que a Kroll buscou informações sobre adversários de Dantas, sobre a Telecom Italia, sobre o agora ministro Luiz Gushiken, sobre Cassio Casseb (ex-presidente do Banco do Brasil), sobre jornalistas (inclusive desta publicação), sobre grupos de mídia (a Globo foi investigada), mas pouco ou nada se fala sobre a Telefônica.



Imprensa



Em seu depoimento às CPIs, Dantas disse que processa algumas publicações porque os conteúdos das matérias são tendenciosos ou utilizados em ações judiciais contra o Opportunity por motivos diversos (Dantas não diz quais). Ele mencionou processos contra Mino Carta, da Carta Capital, e contra Rubens Glasberg, diretor da TELETIME. Este noticiário esclarece que foi alvo de quatro processos movidos por Dantas ou pelas empresas que estavam, na ocasião, sob seu controle. Até agora, não há nenhuma decisão judicial contrária à TELETIME e várias decisões favoráveis. Nos despachos, os juízes reconhecem que TELETIME apenas cumpriu seu dever de informar. As notícias publicadas mostraram-se comprovadas e verdadeiras. Por exemplo, em uma das ações Dantas pedia indenização por danos morais porque TELETIME escreveu que a entrada da Brasil Telecom no mercado de celular traria problemas para o retorno da Telecom Italia ao controle da tele fixa. A notícia é verdadeira, tanto é que até agora o efetivo retorno dos italianos à Brasil Telecom é alvo de disputas.



Cantidiano



O diretor de TELETIME é processado ainda por Luiz Leonardo Cantidiano, ex-presidente da CVM, que pede indenização por supostos danos morais em função de notícias que mostravam o possível de interesse entre as atividades de Cantidiano como advogado do Opportunity e sua função no comando da autarquia. Cantidiano teve vitória em primeira instância. Nesta quarta, 21, Daniel Dantas confirmou em seu depoimento à CPI que Cantidiano de fato trabalhou como consultor do governo na montagem do processo de privatização e em seguida foi advogado do grupo Opportunity. Dantas disse ainda que Maria Lúcia Cantidiano, mulher e sócia de Cantidiano, foi a responsável por cuidar dos envelopes de preço do consórcio liderado pelo Opportunity que venceu o leilão para a compra da Tele Centro Sul (hoje Brasil Telecom).
Samuel Possebon
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