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Quando a bolha vai estourar?
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O dólar cai, a Arpu em dolar sobe, e o valor de retorno do investimento para as matrizes cresce sem um aumento real da receita em moeda local. São os efeitos da mais pura ciranda financeira.
Por outro lado, os investimentos em novas tecnologias crescem, sem a correspondente oferta de novos serviços, resultando em soluções em busca de um problema, porém com um alto custo de investimento a priori, sem um sólido business case.
A inflação eleva as tarifas indexadas em IPCA ou IGPM e temporariamente afetam os minutos de uso dos serviços.
A inflação pressiona materiais e salários na cadeia de fornecimento e custos da companhia, gerando demissões e também pressionando mais ainda as áreas de suprimentos em relação a seus fornecedores quase ao limite da inviabilidade.
A busca de custos menores faz com que as áreas de suprimentos privilegiem os custos em detrimento da qualidade.
A concentração de fornecedores e de operadores, gerou uma queda brutal nos preços dos produtos e serviços, que talvez pudesse se sustentar numa economia estável. Mas com uma inflação de 6% a 10% fica insustentável, com risco para a confiabilidade e qualidade dos serviços.
O crescimento da base de clientes a qualquer custo tende a arrefecer pois já temos uma penetração bastante alta. Como conseqüência, os resultados das empresas começam a ser afetados, haja vista a queda de valor da América Móvil.
A perda de assinantes da telefonia fixa para as celulares e para as empresas competitivas de cabo ou outras tecnologias afeta a disponibilidade de investimentos. Em grupos convergentes com telefonia fixa e móvel, resulta em uma redução no ritmo de desembolsos na telefonia celular em detrimento da banda larga por fio ou mesmo nas novas tecnologias wireless, caso da Telefónica em alguns países.
Este quadro sinótico lança um alerta de que o ciclo virtuoso de crescimento das empresas de telecomunicações, e em particular das celulares, está prestes a ter uma inflexão. Faço votos não seja a explosão de uma bolha, mas que se acomode suavemente, sem levar a uma catástrofe que implique em quebra de empresas e perda de empregos de forma abrupta, destruição da cadeia de valor e de fornecimento do setor.
Por outro lado, o inevitável reajuste de preços necessário para preservar a cadeia de suprimento e de valor tem um efeito negativo que é realimentar a inflação de forma sistemática.
Além da simples acusação dos efeitos internacionais de aumento do petróleo e outras commodities, o grande vilão deste processo é que nos contratos de concessão ou autorização, não só nas telecomunicações como em todas as demais concessões privatizadas, foi embutido o conceito, vigente na época, de reajuste de preços com a inflação sem levar em conta o mercado como um todo. Hoje temos um desequilíbrio no Brasil, onde as concessões não foram acompanhadas de um desenvolvimento da concorrência de forma concomitante, chegando a tarifas que extrapolam qualquer parâmetro internacional ou mesmo de mercado interno. A conseqüência é a transformação do Brasil em um País pouco competitivo, tanto pelos custos quanto pela valorização do Real.
O poder de mercado do setor, concentrado no México e Espanha, precisando manter as expectativas de ganhos para seus acionistas impacta o desenvolvimento da infra-estrutura em países como o nosso. A fusão da BrT com a Oi pode gerar um equilíbrio de tendências, e é uma oportunidade, aproveitando a situação enfrentada pelos outros grupos.
A propalada expansão internacional da BrOi é algo ainda bem nebuloso e as oportunidades precisam ser mapeadas tanto do ponto de vista dos acionistas quanto do atendimento da estratégia governamental, usada para criar os mecanismos para viabilizar esta fusão.
O espaço e as oportunidades na América Latina são limitadas, mas muitas licenças ainda serão licitadas neste ano e começo do próximo, para a rede celular 3G e banda larga wireless (WiMAX), por exemplo.
A bolha vai estourar pelo lado do consumo, mas a farra vai parar também do lado das operadoras, onde a febre de investimento em novas tecnologias vai arrefecer pressionada pela exigência de resultados para os acionistas. Os primeiros sinais de impacto na qualidade já começam a se fazer notar nos novos serviços lançados sem o período de maturação, e na ameça de apagões.
O relevante é que não estamos falando de movimentos isolados em determinados países, mas sim em uma situação regional. A América Latina com certeza apresenta este quadro, com variações de país para país, mas aparentemente dentro da mesma tendência.
É fácil sinalizar uma inflexão ou uma bolha, porém o difícil é tomar as ações preventivas que permitam limitar as conseqüências para as empresas e para as pessoas. A primeira questão é conseguir que as companhias tenham cautela. Mudar o pensamento estratégico quando há sete anos o modelo é de crescimento contínuo e de adoção de novas tecnologias, é o X da questão. Num ambiente confuso, cabe ao governo manter um cenário estável, e não é oportuno mudar regras, criar novas demandas de desenvolvimento e exigências.
E as novas tecnologias que estavam na fila de espera, como ficarão?
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| Cláudio Dascal |
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