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  EDIÇÃO #112 - ANO 11 - JULHO/2008
BANDA LARGA MÓVEL
Venda de modem USB supera celular 3G

A implantação de várias redes 3G no padrão UMTS no Brasil pôs um novo item de tecnologia na lista de consumo do brasileiro de classe média: o modem para acesso à internet em banda larga móvel. Com farta propaganda das operadoras na TV, as vendas cresceram de forma explosiva e já superam aquelas de celulares 3G. Estima-se que mais de 2 milhões de unidades serão vendidas no Brasil este ano e que o País terá, ao fim de 2008, aproximadamente 3 milhões de usuários de banda larga móvel – incluindo aqueles da Vivo em CDMA. A maioria desses modems será produzida nacionalmente. Além disso, há expectativa de lançamento de modelos que agregam novas funcionalidades, como slot para cartão de memória e até antena para recepção de TV digital.

O mercado brasileiro de modems para banda larga móvel é quase totalmente dominado por fornecedores asiáticos, como Huawei, ZTE e Giant. Eles chegaram no momento certo, quando do início da implantação das redes, e trouxeram modelos importados com preços mais baixos que a média. Há também muitos casos em que os modems levam outra marca, mas a tecnologia, na verdade, é asiática. Os dispositivos da italiana Onda, por exemplo, usam tecnologia da ZTE.

Com o crescimento da demanda e o aumento da escala, tornou-se interessante passar a fabricar esses dispositivos no Brasil. Vários fornecedores deram esse passo neste primeiro semestre do ano. “A produção local consegue melhorar o time to market e aumentar a margem do produto. Nosso custo foi reduzido em aproximadamente 30%. Foi um tiro certeiro”, explica Bruno Giacometti, gerente de produto da Onda, cujo modelo MSA501HS, vendido em grandes volumes para a TIM, é produzido desde abril deste ano na Celéstica, em São Paulo.

As gigantes chinesas Huawei e ZTE também começaram a produzir seus equipamentos no Brasil este ano, seguindo o modelo de terceirização. A Huawei optou pela Flextronics: os primeiros lotes fabricados no País do modelo E226 (HSDPA) estavam programados para chegar em meados de julho. A ZTE, por sua vez, começou a produção local em abril através de dois parceiros: Celéstica e Evadin. Vale lembrar que a Evadin também produz com uma marca própria, a Aiko, usando tecnologia da ZTE.

É interessante notar que a maioria dos fabricantes tradicionais de celulares não entrou ainda nesse segmento de dispositivos USB. Uma exceção é a SonyEricsson, que fornece alguns modelos para a Claro. O diretor de mercado da Nokia, Gustavo Jaramillo, deu a seguinte explicação: “A Nokia acredita que o consumidor pode usar o próprio celular para acessar a internet. Pode até mesmo usá-lo como modem, se for conectado a um notebook. Mas a empresa não descarta a possibilidade de desenvolver um modelo de negócios para produzir e entrar neste mercado.”

Hoje, quem dá as cartas nesse segmento são as operadoras. Ao contrário dos celulares, ainda não existe venda direta dos fabricantes para os varejistas. Isso deve demorar um pouco a acontecer. Por enquanto, os modems são vendidos bloqueados e com preços subsidiados pelas teles. A única exceção é a Oi, que manteve para os modems a mesma política que tem para os celulares, ou seja: só vende aparelhos desbloqueados.

O preço cheio de um modem HSDPA ainda é salgado para a maioria dos brasileiros, girando em torno de R$ 450. Esta seria a principal razão para a prática do subsídio pelas operadoras. Com o aumento da escala, espera-se que o preço caia para R$ 300 no final do ano.

“O preço do modem é a maior barreira de entrada no mercado de banda larga móvel hoje. É um obstáculo maior que o preço do serviço em si”, analisa o diretor de planejamento estratégico e novos negócios da TIM, Renato Ciuchini. A operadora deseja lançar uma versão pré-paga do serviço. Em março, testou um plano de R$ 9 por 40 MB de dados trafegados. O serviço foi bem aceito, mas para fazer sucesso de verdade o preço do modem precisaria estar mais baixo. “Estamos desafiando os fabricantes a fazer um modem Edge por US$ 50 para o pré-pago”, disse Ciuchini. O problema é que a diferença de custo hoje para fabricar um modelo Edge ou HSDPA é muito pequena. Por isso, a maioria das operadoras compra apenas modems 3G.



Diferenciais



Nesse surgimento do mercado de modems USB, o consumidor ainda não é sensível às marcas dos aparelhos. A compra, geralmente, é feita em função da operadora, de olho no plano por ela oferecido. “Ninguém que saber se o modem é branco ou preto. O que faz diferença mesmo é o preço”, afirma o analista do IDC, Alex Zago.

Embora a maioria dos consumidores não saiba, existem, sim, pequenos detalhes que podem fazer diferença entre o produto de um fabricante ou de outro. Em primeiro lugar, é preciso verificar as freqüências em que o aparelho trabalha, para saber, por exemplo, se é possível fazer roaming nos EUA. Para ser completo, um produto no padrão UMTS, por exemplo, deve trabalhar com quatro bandas para GSM/Edge (850, 900, 1.800 e 1.900 MHz) e três bandas para UMTS (850, 1.900 e 2.100 MHz). Verificar a velocidade máxima de download também é importante: alguns atingem no máximo 3,6 Mbps, enquanto outros podem chegar a 7,2 Mbps, dependendo, é claro, da capacidade da rede da operadora e do plano de serviço contratado.

Os diferenciais podem estar também no software. A auto-instalação, por exemplo, é considerada hoje em dia uma característica obrigatória para todos os modems, afirma Marcelo Motta, diretor de tecnologia e produtos da Huawei. Além disto, é fundamental que o programa para conexão à internet esteja traduzido para o Português e seja fácil de usar. Outro detalhe importante é a compatibilidade com sistemas operacionais variados, como Windows, Macintosh e Linux.

O design ainda não é um diferencial tão relevante como é nos celulares. “No modem, quanto menor, melhor”, diz Giacometti, da Onda.



Novas funcionalidades



Hoje, os modems servem simplesmente para acessar a internet. Porém, uma infinidade de novas funções pode ser agregada a eles. Uma delas já foi adotada pelos modelos comercializados pela Claro: trata-se da possibilidade de enviar e receber mensagens de texto (SMS) pelo dispositivo, usando uma interface no computador ao qual ele está plugado.

Outra função muito simples e que requer apenas uma adaptação no software que o acompanha é a possibilidade de realizar chamadas de voz. A ligação seria feita através do próprio programa de conexão à internet, usando um teclado virtual, além de um microfone e caixas de som do computador do usuário. Da mesma forma, adaptando-se o software de conexão é possível acrescentar um botão para a realização de videochamadas – desde que o assinante tenha uma câmera acoplada ao seu computador.

Há também novidades que irão requerer ajustes no hardware do modem. A Onda, por exemplo, estuda a possibilidade de lançar um modelo com antena embutida para recepção de TV digital no padrão brasileiro. A empresa já tem na Itália um aparelho com antena para recepção em DVB-H que é comercializada pela TIM e pela 3.

Mais próximo de virar realidade está o modem-pen drive. Ou seja, um modem com bastante espaço de memória livre para funcionar também como um pen drive. Onda, Huawei e ZTE já têm modelos prontos para serem lançados. O da Onda, programado para outubro, tem slot para cartão de memória microSD.

Outra novidade pronta para sair do forno são as versões HSUPA (High Speed Uplink Packet Access), destinadas a aumentar ainda mais a velocidade de upload. Seu lançamento no Brasil só depende da entrada em operação de redes HSUPA, o que talvez aconteça no fim deste ano.

A maioria dessas novas funcionalidades, contudo, só se tornará realidade no mercado brasileiro se houver interesse por parte das operadoras, já que são elas que fazem a intermediação das compras dos aparelhos hoje. Algumas se mostram interessadas nas novidades. Outras, nem tanto.

“Vemos com bons olhos. Acho que é a evolução natural os modems agregarem novos serviços”, comenta a diretora de serviços de valor adicionado e roaming da Claro, Fiamma Zarife. Na TIM, a prioridade no momento é tentar levar o serviço de banda larga móvel para as classes mais baixas, explica Ciuchini, que não descarta, contudo, o lançamento de modems com tais novidades. Na Brasil Telecom, o discurso é cauteloso: “Não vamos lançar uma funcionalidade só por lançar. Vamos pesquisar antes junto aos clientes”, responde o gerente de marketing de produtos da operadora, Rivo Manhães.

Antes de encomendar os dispositivos com antenas de TV digital ou pen drives, as teles terão que ponderar a respeito do preço. Afinal, esses novos modelos devem chegar ao mercado mais caros que os atuais. Especificamente sobre a adoção da funcionalidade de TV digital no padrão brasileiro, o gerente geral da plataforma de handsets da ZTE, Luis Fonseca, demonstra ceticismo: “Uma antena ISDB-T encareceria significativamente o modem e não traria nenhuma receita adicional às operadoras.”

Enquanto 2008 está sendo um ano de boom nas vendas desses equipamentos para banda larga móvel, a continuação desse crescimento em 2009 dependerá do fôlego de investimento das operadoras celulares. “No lançamento sempre há uma explosão de vendas, mas depois a curva de crescimento cai. As operadoras móveis têm que fazer muito investimento em rede para agüentar um crescimento contínuo”, alerta Zago, do IDC.
Fernando Paiva
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