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  EDIÇÃO #134 - ANO 13 - JULHO/2010
EVENTO
No centro das atenções

Há muitos anos o setor de TV por assinatura não chegava ao seu principal encontro anual, a Feira e Congresso ABTA, sob a mira de tantos holofotes. Os olhos estão voltados para o que acontecerá com a indústria que nos últimos seis anos conquistou espaço significativo no mercado de banda larga e telefonia fixa, cresceu sistematicamente cerca de 20% ao ano e é hoje a base de uma infraestrutura que surge como alternativa às redes tradicionais. Dois fatores fazem da ABTA 2010, que acontece entre os dias 10 e 12 de agosto, em São Paulo, um evento que deve ir além do próprio mercado de TV paga. Primeiro, porque ele acontecerá justamente em um momento em que a Anatel anuncia mudanças nas regras de licitação que, em tese, permitirão uma pulverização muito maior do mercado de TV por assinatura, fazendo com que redes de TV a cabo se expandam a cidades hoje atendidas apenas pelo DTH (satélite). E nesse cenário, a expansão do serviços a empresas de telecomunicações é uma possibilidade real. Mais do que um impulso no mercado de TV ou à entrada das teles na oferta de TV a cabo, a liberação de novas outorgas pode estimular a construção de redes de telecom alternativas para dar suporte aos serviços de vídeo e Internet em alta velocidade. É isso que está animando dezenas de fabricantes de equipamentos de todos os portes e provedores de conteúdos presentes na ABTA 2010.

O segundo fator que promete esquentar o evento, por outro lado, é justamente o fato de que essa abertura pretendida pela Anatel está longe de ser pacífica ou livre de polêmicas. De um lado, existe o interesse de pequenos operadores e fornecedores de equipamentos que realmente desejam ver a expansão do mercado, mas de outro existe o receio de que esse crescimento sem limites pretendido pela agência abra espaço para uma competição desequilibrada com as empresas de telecomunicações e a legalização de operações que hoje funcionam clandestinamente. A própria ABTA, que representa operadores de TV por assinatura, está reticente em relação à abertura do mercado, tanto é que questionou formalmente a Anatel sobre que condições serão exigidas, sobretudo em relação a empresas de telecomunicações e à entrada de operadores que hoje operam irregularmente. A Net Serviços, maior operadora do setor, também teme que a entrada de concorrentes sem limitações provoque uma corrida aos postes (por onde passam os cabos) e acabe gerando condições de desigualdade no mercado.

De qualquer forma, pequenos operadores estão vendo nessa oportunidade de expansão do mercado uma chance para levarem suas redes a novas localidades. Fornecedores de equipamentos e programadores acreditam que esse elemento novo será mais combustível para acelerar o mercado. Segundo o cadastro de interessados da Anatel, existem mais de 1,1 mil pedidos de concessões de cabo feitos desde 2000. A análise criteriosa dessa lista mostra duas realidades diferentes. De um lado, há uma maioria de pedidos feitos por pequenas empresas ou pessoas físicas. De outro, a listagem é quase toda para municípios de menor tamanho e poder aquisitivo.

Um dos destaques do evento deste ano são as sessões regulatórias, com a presença do conselheiro João Rezende, da Anatel, um dos maiores entusiastas da abertura do setor a novos operadores. Foi de um voto de Rezende que nasceu a mudança de regras de licitação que está agitando o mercado. Ele explicará as consequências esperadas pela Anatel da abertura de novas concessões e quais serão as etapas para que esse projeto seja cumprido. Na mesma sessão, o superintendente de comunicação de massa da agência, Ara Apkar Minassian, tirará dúvidas sobre o modelo que está sendo proposto, em um debate que tem tudo para ser uma espécie de audiência pública informal.

O projeto de lei PLC 116/2010 (antigo PL 29/2007), que cria novas regras para o setor de TV por assinatura, também será destaque durante o evento, em uma discussão regulatória com a presença do presidente da Ancine, Manoel Rangel. O projeto estabelece a política de cotas de programação nacional e muda a regulamentação do mercado de TV paga, especialmente no tocante à programação em um cenário convergente.

Multiplataforma

Mas a regulamentação será apenas uma parte do evento. A ABTA 2010 reflete o momento de convergência da indústria de comunicação como um todo, com a presença de alguns dos principais executivos de empresas de TV paga, telecomunicações e, pela primeira vez, portais de Internet, que participarão dos debates centrais do evento. A palestra de abertura do congresso será feita por Roberto Irineu Marinho, presidente das Organizações Globo. Roberto Irineu raramente fala em público, mas decidiu vir à ABTA 2010 para detalhar a visão da Globo diante de um cenário que está mudando. O grupo é o principal player do mercado de TV por assinatura no Brasil há quase duas décadas, e observa uma mudança no perfil do mercado, que deve chegar ao final do ano com algo em torno de 9 milhões de domicílios, o que representa uma audiência de quase 30 milhões de pessoas. Além disso, as redes de distribuição se diversificaram, e novas realidades, como TVs conectadas e a banda larga, alteraram a lógica do mercado de conteúdos por assinatura.

A banda larga também é destaque da ABTA 2010. O presidente da Telebrás, Rogério Santanna, vem ao evento para falar, pela primeira vez, não como um formulador de políticas, mas como um novo player no mercado de Internet. A Telebrás quer encontrar, em operadores de cabo, parcerias e alternativas de acesso em última milha, deficiência que a rede estatal terá que enfrentar daqui para frente. O evento terá ainda palestra de Carlos Kirjner, o brasileiro que coordenou, na FCC, o plano de banda larga norte-americano (ver entrevista nesta edição).

Para quem gosta de números e projeções, a ABTA 2010 terá apresentações dos principais executivos para as áreas de mídia e telecomunicações de três das maiores consultorias atuantes no setor: PriceWaterhouse Coopers, McKinsey e Accenture. No foco das palestras, a evolução do mercado de mídia e Internet, a competição com empresas de telecomunicações e os novos formatos de consumo de vídeo. O setor também vive um momento em que novos investidores voltam a ficar atentos às oportunidades. Executivos do setor financeiro também participam de um debate sobre as perspectivas econômicas e de investimentos para as novas redes de TV paga, com presença do BNDES, JP Morgan e BCG Pactual.

Outro destaque é a feira em si, que acontece concomitantemente ao congresso. Segundo a Converge Comunicações, organizadora do evento (e editora de TELETIME), são quase 100 expositores, o que representa um número 37% maior do que o de 2009. E o destaque é a grande quantidade de fornecedores de equipamentos que buscam oportunidades no mercado brasileiro, sobretudo no segmento de IPTV, set-tops avançados, caixas híbridas para DTH e vídeo sobre IP, redes de banda larga e acesso multisserviços. O mercado brasileiro atraiu para o pavilhão do Transamérica representantes de países como França, EUA, China, Coreia, Noruega, México e Portugal.

A exposição da ABTA 2010 também é a ocasião em que empresas de tecnologia e produtores de conteúdo demonstram, lado a lado, aquilo que pretendem oferecer aos mercados de TV e Internet. São esperados lançamentos de novos canais em alta definição e formatos diferentes de distribuição de vídeos, como plataformas online e vídeo-sob-demanda e pay-per-view.

Ao longo de suas 18 edições, o Congresso da ABTA já registrou os momentos mais importantes da indústria, desde o surgimento das primeiras operações, passando pelo explosivo processo de crescimento em função de novas outorgas em 1998, a grande crise do setor em 2002 e agora o momento da convergência plena de serviços, empresas e estratégias. Ao longo de todas estas edições não faltaram polêmicas, e a edição de 2010 parece que não será diferente. Mais informações sobre o evento no site www.abta2010.com.br.



Em Taiwan, o foco é banda larga

Acontece entre os dias 11 e 14 de outubro o evento Broadband Taiwan 2010. Trata-se de um dos mais importantes eventos de banda larga da Ásia. A novidade é que o evento, este ano, quer atrair empresas de telecomunicações e infraestrutura brasileiras. Não por acaso, sobretudo no mercado de vídeo sobre IP e banda larga, grande parte dos fornecedores de tecnologia estão baseados na China ou em Taiwan. O evento é apoiado pelas principais autoridades comerciais de Taiwan, tais como o Bureau of Foreign Trade, Ministry of Economic Affairs, Industrial Development Bureau e Ministry of Economic Affairs, em parceria com associações como Industrial Technology Research Institute (ITRI), Institute of Information Industry (III), o WiMAX Forum e a Taipei Computer Association (TCA). Em 2009, o evento atraiu cerca de 12 mil participantes, a maior parte (18%), surpreendentemente, dos EUA.

Um aspecto importante do Broadband Taiwan 2010 é que ele congrega, na verdade, três eventos paralelamente. Um é o Taitronics (Taipei International Electronics Show), voltado para equipamentos e eletrônica de consumo. Outro evento simultâneo é o Taiwan RFID (Taiwan International RFID Applications Show), voltado para a tecnologia de comunicação e identificação remota RFID. E, por fim, o destaque do evento, o Broadband Taiwan em si, que tem como foco tecnologias de comunicação, componentes eletrônicos, WiMax, Wireless Lan, Ethernet, Microondas, Cable Modem, FTTx, roteadores, WiFi, set-tops entre outros.

Vale lembrar que Taiwan é também um dos principais pólos de desenvolvimento da tecnologia WiMax, e o foco dos organizadores do evento é levar brasileiros para conhecer as soluções desenvolvidas no país. No ano passado, os fabricantes locais despacharam mais de 840 mil CPEs WiMax em todo o mundo e acreditam em forte crescimento em 2010. Mais informações sobre o Broadband Taiwan 2010 podem ser obtidas pelo site www.broadbandtaiwan.com.tw. O evento acontece no Taipei World Trade Center.
Da Redação
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