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Vivo: um ativo importante para quem?
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A Vivo é um ativo importante para a Telefónica. A Vivo é um ativo importante para a Portugal Telecom. As duas afirmativas estão corretas, e uma coisa é certa: os dois perdem com a protelação de uma solução para uma sociedade que não tem mais como continuar nos termos atuais. Uma não-decisão é a pior situação para ambos. A Vivo é um ativo importante para o governo de Portugal, que vê um valor estratégico para satisfazer o orgulho nacional. Por outro lado, ao exercer seu direito de veto através de sua golden share, o governo português pode ter um resultado inesperado: ao criar um impasse na venda, acaba debilitando a própria PT, que sem uma solução para o conflito pela Vivo, vira alvo de uma eventual aquisição pela própria Telefónica ou outro franco atirador no mercado de operadoras europeu, asiático ou mesmo latinoamericano.
A Telefónica necessita da Vivo para pôr em prática sua estratégia de quadruple play, com oferta de fixo, banda larga, TV e mobilidade similar a que já pratica há algum tempo em outros países da America Latina. Outra questão importante para a Telefónica é adotar uma mesma marca nos mercados em que atua, à semelhança do que vem acontecendo com seus concorrentes. O único pais que não usa a marca Movistar ainda é o Brasil. A adoção da marca Vivo na América Latina ou a migração para Movistar no Brasil é uma questão a ser avaliada e discutida, pois Vivo é, sem dúvida, uma marca muito forte.
De qualquer forma, a fusão com a Vivo, que detém a liderança de mercado, é necessária para a própria revitalização da tradicional operadora fixa, a Telesp. Além dos ganhos operacionais e de custo com uma redução ou sinergia das organizações, a fusão permitirá a implantação de uma estratégia e imagem homogênea em todo o continente.
São objetivos claros e valem todo o esforço da Telefónica, pois a alternativa, que seria de criar mobilidade através da TIM, aproveitando a presença da tele espanhola no bloco de controle da Telecom Italia, é um caminho de perda, pois perde-se a posição de líder no mercado.
Vale lembrar que a Telefónica está tentando comprar, sem sucesso, a parte da PT na Vivo desde a grande polêmica sobre a mudança de tecnologia de CDMA para GSM, há cerca de três anos, quando ficou evidenciado que a joint venture tinha chegado ao seu limite. Adicionalmente, a Telefónica não se pode dar ao luxo de mais um revés aqui no Brasil. O episódio da GVT ainda não foi esquecido, pois fazia parte da estratégia de expansão, renovação, e daria mais tempo para a solução da situação da Vivo.
A PT, por seu lado, tem na Vivo seu maior ativo. Apesar de estar perdendo espaço na gestão da empresa, a companhia ainda é a jóia da coroa portuguesa, e como tal é tratada. Caso a Telefónica optasse por outro caminho (leia-se TIM), a PT não teria cacife para comprar a parte dos espanhóis na Vivo e manter a gestão, desenvolvimento, investimentos e liderança que hoje existem na operadora. Ao fechamento desta coluna, ficava claro que melhor faria a PT em aceitar a oferta da Telefónica, e com o dinheiro partir para novos investimentos, no Brasil ou mesmo na África, que está em grande desenvolvimento. A PT pode achar outras opções. Se a solução não for essa, um caminho pode ser a dissolução da holding Brasilcel, com a troca por outros ativos, o que permitiria à PT fazer parte de ativos maiores através de sua diluição na sociedade atual, ou mesmo tendo uma participação menor na operação fixo-móvel resultante.
A resolução do impasse vai depender de quem der o primeiro passo no sentido de sair da queda de braço e ajustar o negócio para aquilo que é possível, não necessariamente para aquilo que desejariam. A Telefónica está oferecendo uma quantia de dinheiro justa do ponto de vista do valor do ativo. Com este dinheiro, a PT tem a grande oportunidade de buscar novas alternativas, além de se fortalecer para não se tornar um alvo fácil de aquisição pela própria Telefónica ou outros eventuais interessados da Índia ou da Ásia. E resta ainda a possível entrada na Oi, um caminho que ajuda na possibilidade de internacionalização da própria tele brasileira rumo à África, que é onde grandes oportunidades ainda existem.
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| Cláudio Dascal |
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