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Audiência sobre a BrOi divide conselho consultivo
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008, 20h46

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Às vésperas de sua realização, a audiência pública sobre a anuência prévia à compra da Brasil Telecom pela Oi, marcada para essa terça-feira, 16, pelo Conselho Consultivo da Anatel, já começa a gerar controvérsias. Parte dos conselheiros quer que o caráter do encontro seja alterado para "reunião aberta", pois regimentalmente o grupo consultivo não teria poder para realizar audiências públicas. O entendimento de conselheiros como Ricardo Sanches, Flávia Lefèvre e José Zunga é de que o rito de realização de uma audiência pública só pode ser exercido pela própria Anatel e não pelo seu conselho consultivo, uma instância de assessoramento da autarquia.

Em princípio, a reunião ocorrerá nesta terça, 16, com o status de audiência, apesar dos protestos. Inclusive o Conselho Consultivo deverá adotar o mesmo método de realização desses encontros por parte da Anatel, com manifestações limitadas dos presentes, que devem se cadastrar antes do início dos trabalhos.

Um ponto problemático é que audiências públicas, quando realizadas pelas próprias autarquias, são precedidas de um chamamento público, divulgado no Diário Oficial da União. Como o Conselho Consultivo não tem o poder de publicar um aviso à sociedade sobre a reunião, o rígido protocolo adotado pode não ser eficaz na reunião dessa terça pela falta de um conhecimento prévio das regras por parte dos interessados.

Mas a discordância entre os conselheiros atinge também a própria agência. Existe a suspeita de que a insistência em realizar uma "audiência pública", apesar da impossibilidade regimental, está no fato de o Ministério Público Federal (MPF) ter recomendado que a Anatel só deliberasse sobre a anuência prévia da compra da Brasil Telecom pela Oi após a realização desses debates com a sociedade. O indicativo, segundo a conselheira Flávia Lefèvre, é que a agência estaria por trás dessa iniciativa, estimulando a realização da audiência como forma de cumprir a recomendação do MPF.

Ocorre que, na opinião da conselheira, a própria Anatel é quem deveria ter promovido as audiências como forma de ouvir a sociedade. Usar o conselho consultivo, neste caso, não remediaria a recomendação do MPF. "Ainda mais uma reunião feita dessa maneira, decidida pouquíssimos dias antes da sua realização. Não há como esperar uma efetiva participação da sociedade dessa maneira", avalia Flávia.
Mariana Mazza
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