publicidade
Teletime
   pesquisa avançada
 
  EDIÇÃO #125 - ANO 12 - SETEMBRO/2009
ESPECIAL MOBILIDADE - LOJAS VIRTUAIS
Vitrines móveis

O conceito de lojas de aplicativos abriu um novo leque de oportunidades para desenvolvedores de serviços para dispositivos móveis. Impulsionados pelo sucesso da App Store, da Apple, outros fabricantes de handsets como RIM, Palm, Nokia e LG, além de Microsoft e Google, com sua plataforma Android, partiram na mesma empreitada e desenvolveram suas próprias lojas de aplicativos. Apenas a loja da Apple permite, por enquanto, a compra de aplicativos. A BlackBerry AppWorld, da RIM, e a Ovi Store, da Nokia, já podem ser acessadas por consumidores brasileiros, mas a oferta inclui apenas aplicativos gratuitos.

Ambas preparam ainda para este ano um modelo de negócios que permita a compra de aplicativos com meios de pagamentos locais, através de cartões de crédito ou em parceria com o billing das operadoras móveis nacionais. No caso da Nokia, de acordo com o diretor de vendas de serviços, Fiore Mangone, o modelo preferencial da fabricante é a cobrança dos aplicativos direta no billing das operadoras. “Ainda estamos negociando com as operadoras no Brasil, mas como já vendemos outros serviços via cartão de crédito, o provável é que disponibilizemos ambos os modelos”. A Nokia trabalha ainda com a possibilidade de criar canais específicos para cada operadora comercializar seus aplicativos e conteúdos dentro da Ovi Store. “É importante ter a operadora envolvida para poder conseguir massificar o acesso a esses aplicativos em uma base essencialmente pré-paga”, pondera Mangone.

A concentração dos mais diversos tipos de aplicativos, do entretenimento a ferramentas de produtividade, em um único local, com mecanismos de pesquisas e uma interface simples, contribuirá para fortalecer todo o ecossistema de desenvolvimento. Quando as aplicações são colocadas numa loja, o consumidor tem a percepção de credibilidade, porque sabe que ele já passou por uma análise prévia e legitima do desenvolvedor. “Dá chance até mesmo para desenvolvedores que não são muito conhecidos no mercado terem a oportunidade de distribuir aplicativos para um grande número de usuários”, avalia o diretor executivo da Pinuts Studios, Carlos Renato Camolesi. Para ele, conforme o volume de aplicativos for aumentando, as pessoas irão se acostumando a baixá-los, a demanda aumentará e haverá mais desenvolvedores.

“Uma coisa puxa a outra. Essas novas lojas estão fazendo um esforço grande para chamar mais desenvolvedores e acho que até o final do ano já teremos um número bom de aplicativos”, comenta.

O gerente de inteligência de mercado da RIM, Adriano Lino, prevê que “as lojas de aplicativos criarão um universo de desenvolvedores dispostos a criar ferramentas de mobilidade corporativa para pequenas e médias empresas (PMEs), antes privilégio de grandes corporações”.

Corporativo

É claro que grandes corporações têm necessidades específicas e acabam entrando em contato direto com o desenvolvedor para que seja criado um aplicativo corporativo com grande customização, integração com os sistemas internos da companhia e implementação direta nos dispositivos móveis. É uma relação direta de business-to-business e que dispensa a loja como intermediária. “Mas existe um mercado enorme de PMEs e que pode ser atendido com soluções ‘de prateleira’, mais simples, com pequeno nível de configuração no próprio aplicativo. Essas empresas não teriam milhões para investir numa solução sob demanda, mas estariam dispostas a pagar US$ 10, US$ 20 por um aplicativo”, enfatiza Lino.

Para Camolesi, da Pinuts Studios, existem alguns processos utilizados dentro das empresas que são comuns em determinada atuação de mercado, com algumas regras que são claras e que permitiriam aplicativos “genéricos”. “Fazer um aplicativo de controle de estoque, por exemplo, é relativamente simples e para uma pequena empresa funcionaria bem”. O diretor de vendas de serviços da Nokia, Fiore Mangone concorda e acrescenta que “aplicativos de aumento de produtividade, agenda, força de vendas e CRM também podem ser desenvolvidos de forma mais genérica para venda nas lojas virtuais”. Logística ou mesmo de controle de pedidos, como um cardápio de restaurante, também podem virar aplicativos ‘de prateleira’. “As comandas de anotação de pedidos geralmente não variam muito e poderiam ser colocadas como uma ferramenta de produtividade numa loja e vários restaurantes poderiam usar com um baixo nível de customização”, acrescenta Camolesi.

Os desenvolvedores já perceberam o potencial desse mercado, não apenas para massificação de seus aplicativos, mas também como porta de entrada para novos projetos sob demanda. A Go Mobie, por exemplo, prepara para este ano o lançamento de seu primeiro aplicativo de produtividade para ser vendido na loja da Apple. “Até agora trabalhamos com o desenvolvimento de aplicativos corporativos diretamente para as empresas, mas lançaremos ainda esse ano aplicativos de produtividade nas lojas com valor baixo, entre US$ 0,99 e US$ 5, e que terão um bom nível de relevância para as pessoas”, revela o sócio e diretor comercial da Go Mobie, Lúcio Corrêa Santana.

Mobile Marketing

As lojas de aplicativos deram também um novo sentido para o conceito de mobile marketing, e o que se tem observado é um número cada vez maior de empresas que patrocinam aplicativos como forma de marketing de relacionamento. “O usuário tem o aparelho à mão 24 horas por dia e é possível aproveitar o contexto do uso dele para fazer publicidade”, lembra Lino, da RIM. “É o novo canal de comunicação das empresas”, pontua Mangone. Santana, da Go Mobie, explica que aplicativos de marketing institucional geralmente são gratuitos, porque o objetivo das empresas não é gerar receita com ele, mas sim aproximar a marca dos seus consumidores. O desenvolvimento de aplicativos white lable para mobile marketing, que é a principal fonte de faturamento da Pinuts Studios, teve um aumento de demanda de quase 50% no começo desse segundo semestre, segundo Camolesi, e a tendência é que continue crescendo. “Com os aplicativos, temos condições de criar coisas muito mais interessantes do que o que tínhamos com SMS e Wap, ao integrar funcionalidades de conexão à Internet, GPS e câmera”, conta. Santana também está otimista: “o desenvolvimento de aplicativos para lojas, incluindo mobile marketing e aplicativos de venda direta para usuário final, ainda não representa parte importante do nosso faturamento, mas o objetivo da empresa é que represente 30% da receita até o fim de 2010”. O executivo da Go Mobie lembra que para o mobile marketing “é necessário fazer aplicativos que sejam relevantes, com conteúdo interessante para que a pessoa não baixe apenas por curiosidade e depois nunca mais utilize o aplicativo”. No Canadá, por exemplo, uma montadora conectou o computador de bordo de um de seus modelos ao smartphone do cliente e passou a usar o aparelho como ferramenta de marketing. “Com as informações colhidas do computador de bordo, a montadora consegue fazer recomendações ao cliente sobre a manutenção do carro, como troca de óleo e freios antes que o problema aconteça”, conta Lino.

Mercado internacional

As lojas também podem funcionar bem como vitrine para a venda de aplicativos de desenvolvedores nacionais no exterior. Embora a loja virtual de cada fabricante tenha uma interface customizada, com destaques de aplicativos de acordo com cada país, em geral não existem restrições para que estes aplicativos possam ser baixados em outros países. É o que acontece com a Ovi Store, da Nokia. “Geralmente os desenvolvedores locais têm privilégio nas lojas de seus respectivos países porque têm um melhor entendimento das necessidades e preferências do consumidor local, mas é claro que conteúdos globalizados podem estar disponíveis em todo o mundo”, ressalta Mangone.

Quando um desenvolvedor inscreve uma aplicação para aprovação na Ovi Store, pode escolher os países em que ela será ofertada. “Claro que tem de ser desenvolvida não apenas em português, mas se tiver uma versão em inglês ou espanhol, pode distribuir para qualquer país que tenha Ovi Store”, afirma o diretor. “O modelo de loja de aplicativos é muito bom para quem está comprando, mas é melhor ainda para quem está vendendo”, afirma o gerente da RIM, Adriano Lino. “A partir do momento em que um aplicativo passa por todo o processo de certificação, será oferecido em todas as lojas de todos os países em que a RIM tem a loja virtual e o desenvolvedor pode vender um aplicativo para os nossos quase 30 milhões de clientes no mundo inteiro”, explica. Claro que o desenvolvimento bilingue, em português e inglês, facilita o processo de distribuição no exterior. “Atualmente, uma aplicação que foi desenvolvida no Brasil e que faz muito sucesso na BlackBerry AppWorld lá fora é um tradutor desenvolvido pela Navita”, conta Lino. O BlackBerry Partners Fund pode ser um mecanismo valioso para auxiliar aplicativos com bom potencial a deslanchar no mercado internacional. O fundo foi criado no final do ano passado com US$ 150 milhões da RIM e mais outros valores investidos por outras empresas. “Há vários aplicativos que começaram de maneira independente e que depois receberam investimentos para que a empresa ganhe mais escala e desenvolva o produto de forma mais profissional”, detalha Lino.

Mais de 20 empresas já receberam investimentos deste fundo para desenvolver os aplicativos. Para se ter uma ideia, uma empresa sozinha chegou a receber um aporte de US$ 4 milhões para aprimorar e globalizar um aplicativo de viagens que informa vôos, permite a compra de passagens, reserva de hotel e até mesmo alugar um carro. “O dinheiro é aplicado para que a empresa possa profissionalizar o aplicativo, melhorar a interface com o usuário e exportá-lo para toda a nossa base de clientes".
Letícia Cordeiro
Imprimir   |   Enviar por e-mail   |  (0) Comentar  
Conheça as publicações da Converge Comunicações
TELA VIVA NewsPAY-TV NewsTI INSIDE OnlineRevista TELA VIVARevista TELETIMERevista TI INSIDE
Converge Comunicaes

© Copyright Converge Comunicações. Todos os direitos reservados. A reprodução total ou parcial dos textos, imagens e arquivos deste site por qualquer meio ou forma depende de autorização por escrito da editora. TELETIME é uma propriedade da Converge Comunicações.

publicidade