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ESPECIAL - Backbones
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"Quadrilátero de ouro" é o grande filão para backbones

Sandra Regina da Silva

Fim do monopólio de longa distância provoca o surgimento de dezenas de empresas, que vêm investindo alto para atuar no setor de transmissão de serviços de telecomunicações.

Demanda por backbones no Brasil e no exterior existe, e muita, mas o timing da explosão desse mercado depende da disponibilidade de acesso broadband. Até pouco tempo atrás, havia um único backbone no Brasil, da Embratel, que detinha o monopólio de longa distância. Com a abertura do mercado, várias empresas começaram a investir na construção de redes de transmissão broadband no território brasileiro. Uma das regiões que, pelo menos inicialmente, vem recebendo mais investimentos em backbones é o chamado "quadrilátero de ouro", que inclui São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília. Não por acaso, é a região com maior demanda por serviços de telecomunicações e que concentra a maior parte da renda do Brasil.

Mas há provedores prometendo infra-estrutura que ligará o Nordeste ao extremo Sul do País, além dos que estão investindo em rotas que cobrem a América do Sul e em redes submarinas ligando o Brasil a todas as partes do mundo. Todas estas redes estão sendo feitas em forma de anel, para garantir redundância no caso de problemas em algum ponto de sua extensão.

A rede da Embratel é a mais extensa - e antiga - no País. Ela vai de Belém (PA) ao extremo Sul do Rio Grande do Sul, totalizando 23,4 mil km de cabos ópticos, com 628 mil km de fibras. Com os acréscimos previstos para este ano, chegará a 25,7 mil km de cabos, com 681 mil km de fibras. Utilizando as tecnologias de SDH e DWDM, o backbone de fibras ópticas da Embratel tem ligações através de cabos passando por rodovias, ferrovias, linhas de transmissão de energia elétrica (cabos OPGW) e vias submarinas. Segundo José Roberto Rangel de Abreu, gerente da Divisão de Suporte do Departamento de Interconexão da Embratel, o backbone está com a capacidade totalmente utilizada. De acordo com ele, no triângulo Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte, a capacidade atual é de 20 Gbps e haverá um upgrade, previsto para até o final do ano, atingindo 30 Gbps. No restante, a rede é de 5 Gbps, velocidade que chegará a 10 Gbps também até o final de 2000. Mesmo com a capacidade tomada, Rangel avisa: "Não há negociações sobre compartilhamento de fibra e sim como prestação de serviços". O executivo salienta, porém, que há exceções, como por exemplo em casos que sejam de natureza estratégica para a Embratel.

A operadora pretende entrar também no acesso a dados diretamente ao usuário final, de uma forma ainda inédita no Brasil: através do unbundling, do uso das redes locais das teles, que segundo a legislação são obrigadas a ceder seus cabos e fios a quem queira prestar serviços. A Intelig está indo pelo mesmo caminho, conforme anunciado em meados de julho. A revista TELETIME deste mês traz um artigo do advogado Oscar Petersen sobre esta questão.

Entre as empresas que vêm investindo fortemente nas cidades do quadrilátero de ouro está a Engeredes, provedora de meios de transporte de longa distância, no modelo "carrier’s carrier" (transportadora de sinais para operadoras), controlada pela Infovias - Soluções em Redes S/A com participação minoritária da Algar Telecom. Neste momento, a Engeredes está iluminando (ativando) seu backbone São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, com ponto de presença também em Uberlândia (MG), onde mantém o centro de gerência de rede. O próximo passo é iluminar Brasília. Até o final deste ano, estarão prontos todos os anéis metropolitanos dessas cidades. O business plan inclui interconectar, em breve, a cidade de Santos, que servirá como porta para o mercado internacional através de redes submarinas de terceiros. Em médio prazo, o backbone da Engeredes chegará ao Estado do Rio Grande do Sul, para então ter acesso ao Mercosul, e depois irá até Fortaleza (CE), também visando o mercado internacional. Para chegar nesses pontos, porém, a empresa se diz aberta a troca de capacidade, construção conjunta etc.

Segundo Lourival Jorge Teixeira, diretor superintendente da Engeredes, através de ramificações, a tendência é estar presente em cidades de médio porte ao longo do backbone. "Temos mapeadas 250 cidades." Para Rubens Paccini, diretor de desenvolvimento de negócios, 48 cidades das cobertas pela rede respondem por 70% das telecomunicações no Brasil. São 3,5 mil km de fibras ópticas, utilizando o SDH, com capacidade até 2,5 Gbps. "Nossa previsão é adotar o DWDM até o final do ano e, antes disso, ter também ATM ao longo do backbone", completa Teixeira.

A Barramar, que tem os direitos de passagem de rodovias das regiões Sul e Sudeste (ao todo são 41 permissões, incluindo a ponte Rio-Niterói) e atua como provedor de meio físico (fibra escura, conduítes, sites de telecomunicações compartilhados), já conta com um backbone pronto de 4 mil km em São Paulo e Rio e finaliza a construção de outros mil km em São Paulo nos próximos três meses. A rede Barramar terá 24 mil km, de Fortaleza (que ficará pronto em dezembro deste ano) a Uruguaiana (abril de 2001), sendo a última etapa do projeto (3,5 mil km) a ser concluída entre o final de 2001 e início do ano seguinte. O trajeto tem um "potencial de cobertura de 95% do PIB nacional", afirma Paulo Borges, diretor da empresa. Estão no planejamento as seguintes localidades: um anel entre São Paulo, Rio, Juiz de Fora, Belo Horizonte, Brasília, Garapava e Presidente Prudente; interligação ao Rio Grande do Sul, passando pelo Paraná e Santa Catarina; e a extensão ao Nordeste, pela faixa litorânea até Fortaleza com linha redundante pelo interior.

Tem ainda redes metropolitanas em São Paulo, Rio e Campinas, parte delas em fase de construção. A rede contém 14 subdutos, com até 216 fibras cada um.

Paulo Borges diz que a Barramar (que acaba de se associar à européia Case) atua no modelo carrier’s carrier, comercializando a infra-estrutura (dutos, fibras escuras) e os direitos de passagem, construindo abrigos e instalando a eletrônica quando necessário. "Não fazemos a transmissão, e sim atendemos as necessidades dos clientes e instalamos a tecnologia que o cliente quer", conta o executivo, completando que profissionais da Barramar dão consultoria para determinar a melhor rota, tecnologia etc.

O investimento total na infra-estrutura da Barramar será de R$ 800 milhões, dos quais R$ 300 milhões já foram consumidos e outros R$ 100 milhões estão sendo injetados agora (bancados pela Case), sem considerar os gastos para obtenção dos direitos de passagem.

A MetroRED, focada na prestação de serviços de telecomunicações para o mercado corporativo, já tem pronto um backbone, com tecnologia SDH, de 1,5 mil km, ligando Santos, São Paulo, Rio de Janeiro, Juiz de Fora, Belo Horizonte e voltando para São Paulo. A capacidade deste backbone é de 2,5 Gbps. Tem também anéis metropolitanos nas capitais paulista, carioca e mineira, além de São José dos Campos, com velocidades de até 622 Mbps. A empresa pertence ao grupo latino-americano MetroRED Telecom, formada pela Fidelity Ventures e Boston Ventures para atuar na América Latina. No momento, só está fazendo expansões (ramificações) de acordo com a demanda de clientes, mas há projetos futuros de aumentar a capacidade e a extensão.

A Pegasus, prestadora de serviços de telecomunicações em alta velocidade para curta e longa distância, controlada pela Andrade Gutierrez, pretende investir US$ 200 milhões até meados de 2002 para atuar no mercado, inicialmente com enlace São Paulo/ Rio de Janeiro, ao longo da Via Dutra, e prevê para até agosto de 2001 estar no interior paulista (Campinas, Taubaté e São José dos Campos), além das capitais Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre. Com velocidades de 2 Mbps a 155 Mbps (anéis urbanos) e chegando a 2,5 Gbps na rota São Paulo-Rio, onde está sendo adotada a tecnologia DWDM, a prestadora de serviços pretende ter 6 mil km de cabos ópticos instalados ao longo de rodovias interestaduais, que deve ser 100% IP. De acordo com André Tostes, diretor de marketing e vendas da empresa, em julho começa um beta-teste de IP discado e em agosto, VPN-IP. A rede utiliza DWDM, SDH e wireless (para o last mile). Para oferecer seus serviços, a Pegasus adquiriu o controle da VIS (especializada em tecnologia wireless) e incorporou a MetroFibra (que tinha 450 km de rede em São Paulo).

A Pegasus e a MetroRED trocam capacidade no trecho São Paulo/Rio de Janeiro.

A Netstream, que passa a adotar o novo nome AT&T Latin América, pretende estar atuando em 36 cidades até a metade do ano que vem, como informa Paulo Humberto Gouvêa, diretor regional em Belo Horizonte. O provedor de serviços tem foco no mercado corporativo e conta com redes ativadas em Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo, chegando agora, neste mês de julho, a Alphaville, Campinas e Curitiba. São 335 km de canalização, contendo 32,5 mil km de fibra. Utilizando SDH como sistema de transporte e implantando rede ATM, os anéis metropolitanos oferecem velocidade de 64 Kbps. No futuro, a AT&T vai interligar São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Campinas, Curitiba e Porto Alegre, passando por sete estados.

Algumas teles também estão construindo suas próprias redes. A Brasil Telecom é uma delas, que começa a construção de mais 5,8 mil km do backbone que liga todos os estados atendidos pela holding. Esta ampliação foi dividida em quatro lotes. O primeiro compreende os Estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Acre; o segundo lote, Goiás, Distrito Federal e Tocantins; no terceiro está o Paraná; e o último lote é Santa Catarina. Com esta ampliação, até o fim do ano o backbone da empresa terá um total de 15,5 mil km de extensão. Com mão-de-obra e cabos, a Brasil Telecom vai gastar R$ 90 milhões e as despesas com equipamentos ficarão em R$ 30 milhões.

A Vésper, por sua vez, decidiu ir pelo caminho oposto. "Se a Vésper tivesse decidido construir toda a sua rede, perderia time-to-market (agilidade para atender o mercado)", afirma Alexandre Barbosa, vice-presidente de desenvolvimento corporativo. De acordo com ele, o momento é de consolidação no mercado de telefonia. Depois disso, no entanto, "poderá construir onde for necessário".

AS REDES DOS PROVEDORES
Empresa Infra-estrutura (em km) Velocidade Atuação prevista
pronta projetada atual prevista
Barramar 4 mil 24 mil n.d. n.d. do CE ao RS
Brasil Telecom 9,7 mil 15,5 mil n.d. n.d. MT, MS, RO, AC, GO, DF, TO, PR, SC e RS
Embratel 23,4 mil 25,7 mil 20 Gbps 30 Gbps do PA ao RS
Engeredes 3,5 mil n.d. 2,5 Gbps n.d. do CE ao RS
Impsat n.d. 10 mil n.d. n.d. América do Sul, incluindo uso de satélite
MetroRED 1,5 mil n.d. 2,5 Gbps n.d. SP, RJ e MG
Netstream 335 n.d. 64 kbps* n.d. SP, RJ, MG, DF, BA, PA e RS
Pegasus n.d. 6 mil 2,5 Gbps n.d. SP, RJ, MG, DF, PR, SC e RS
* nos anéis metropolitanos

 

O leque de clientes que já vêm demandando redes de alta velocidade é extenso
  • operadoras de telefonia fixa (incumbents e espelhos) e móveis (bandas A e B, além de futuramente os operadores de SMP)
  • redes privadas, CLECs (espelhinhos), redes corporativas, call centers, instituições financeiras
  • empresas do setor de televisão, como TV paga (para fazer interconexão remota de headends) e broadcast (para integrar pontos geradores de informações, como estádios, casas de shows)
  • prestadoras de serviços de valor adicionado, como empresas de Internet, telemedicina etc.

De olho no Mercosul

A Impsat, de origem argentina, anunciou em junho a ampliação de seu backbone no Mercosul. O projeto inicial era ter a rede ligando Rio de Janeiro, Belo Horizonte, São Paulo e Curitiba, e uma outra entre o Chile e a Argentina. Agora, Curitiba terá ligação com Rosario (Argentina), passando por Porto Alegre, resultando num backbone do Rio de Janeiro a Santiago (Chile). O projeto vai consumir aproximadamente US$ 100 milhões adicionais (o montante inicial não foi divulgado). A extensão, que começa a ser construída em breve e termina no segundo semestre de 2001, representa 25% a mais em quilômetros de fibra do que o inicialmente previsto. O backbone total, incluindo acordos feitos anteriormente com a Movicom/BellSouth e Global Crossing, será de 10 mil km de fibra, com tecnologia IP/ATM e DWDM.

Daniel Hourquesquos, vice-presidente da Impsat para a América Latina, conta que já estão prontas as redes na Argentina e na Colômbia e que o projeto agora é interligar a Argentina ao Brasil, além de estar construindo o trecho que liga o Rio a Curitiba. Durval de Avila Jacintho, gerente de projetos especiais, afirma que a rede vai cobrir também Sorocaba, Campinas e Santos. Hourquesquos diz que a Impsat "não tem limitações no atendimento e partiu para as diversas tecnologias para acompanhar o desenvolvimento dos clientes, que demandam abrangência continental". A afirmação do executivo é calcada nas transmissões via satélite (aliás, essa é a origem dos negócios da Impsat) e wireless (rádio digital). Hourquesquos acredita que a utilização de satélite será essencial para chegar a pontos mais isolados que provavelmente nunca terão fibra óptica e também para sinal broadcast. "Como solução, satélite é imbatível, pela cobertura do footprint." Já o wireless é utilizado como solução de acesso ao teleporto (centro onde convergem todos os equipamentos). Ele completa que a empresa não tem produtos standard, mas é feito um projeto específico para cada cliente, montando-se toda uma engenharia para ele.

Atravessando os mares

Algumas empresas estão construindo backbones submarinos. A Case, com uma rede interligando 78 principais cidades na Europa, através do sistema Eurospan, agora vai construir um backbone submarino de Portugal a Fortaleza (CE). Mas é a Global Crossing que está há mais tempo no mercado e conta com cerca de 88 mil milhas (mais de 140 mil km) de rota, chegando a 170 cidades de 24 países. A empresa informa que é capaz de transmitir dados na faixa de velocidades de 1,28 Tbps (total do sistema), com opções de 2 Mbps, ou comprimento de onda à medida das necessidades do usuário, até um lambda (10 Gbps). Com um faturamento anual entre US$ 5 bilhões e US$ 6 bilhões, a empresa já investiu de US$ 7 bilhões a US$ 9 bilhões.

A Global Crossing tem uma rede terrestre nos Estados Unidos, onde adquiriu a empresa de longa distância Frontier, e outra na Europa, onde comprou a Racal, de ferrovias do Reino Unido, além da IXnet e IPC Communications (empresas-irmãs que atuam com soluções globais de telecomunicações para instituições financeiras). Com essas aquisições nos últimos 18 meses, a companhia passou de 200 funcionários para 15 mil. Seus cabos submarinos interconectam a Europa à América do Norte sob o Atlântico; e a América do Norte à costa da Ásia pelo Pacífico. Agora, está se dedicando à construção do South American Crossing (SAC), que circunda a América do Sul, do Chile à Argentina, passando por Peru, Colômbia, Venezuela, ilha de St. Croix, Brasil (com pontos em Fortaleza, Rio e Santos) e Argentina. A rota é interligada via backbone terrestre (Argentina/Chile), através dos Andes. "A Global Crossing contratou a Impsat para construir o trecho terrestre", afirma Luis Carlos Correia, diretor da empresa no Brasil. Os cable stations (pontos de chegada na praia) e telehouses (pontos de presença) de Fortaleza, São Paulo, Rio de Janeiro e Las Toninas (Argentina) estão quase prontos e o serviço começa a ser oferecido em outubro próximo.

A rota terrestre pelos Andes tem prazo de conclusão em dezembro deste ano e a costa Oeste da América do Sul estará operando em abril de 2001.

A construção do SAC, com tecnologias SDH e DWDM, começou há cerca de um ano e vai consumir um total de US$ 2 bilhões. O backbone sul-americano tem conexão com as costas Leste e Oeste dos EUA. "Inicialmente, vamos vender capacidade de banda larga e conectividade de Internet com os Estados Unidos", diz Correia. Ele salienta que a Internet é o grande filão, devido ao atraso do projeto Américas 2 da Embratel e às conexões atuais feitas via satélite, cujo delay é grande. E o executivo compara esse tempo, hoje de 250 milissegundos, para uma propagação do Brasil aos EUA que cairá para 60 milissegundos através de fibra óptica submarina. "O cabo também tem muito mais banda", completa.

Para o futuro, a Global Crossing planeja ter roteador IP, provavelmente em São Paulo, e uma central ATM, "protocolo de transmissão mais seguro e de qualidade", afirma Correia. Há planos também de atingir outras cidades, entre elas Belo Horizonte, Brasília e Curitiba, que pode ser através de swap (troca) de fibra, construção contratada ou utilizando fibras de terceiros. Além de ter um escritório no Rio de Janeiro há seis meses, inaugura outro em julho na capital paulista. A previsão é ter até o final do ano entre 30 e 40 funcionários na Global Crossing do Brasil.

A estratégia da Global Crossing para o Brasil é começar atuando como carrier’s carrier, mas essa postura deverá mudar com a abertura do mercado. De acordo com Luis Carlos Correia, a companhia é uma operadora de longa distância nos EUA, com todos os serviços possíveis, apesar de ter iniciado com a construção da rede submarina entre América do Norte e Europa.

A Embratel confirma que o projeto Américas 2, que liga o Brasil aos Estados Unidos, está atrasado, mas a previsão para ativação é entre dois e três meses. Está apenas dependendo de acertos nos softwares dos equipamentos do sistema. O Américas 2 é só uma parte do projeto submarino. O chamado Anel Atlântico Digital da Embratel é composto ainda pelo Atlantis 2, que interliga o Brasil (Rio de Janeiro e Fortaleza) à Argentina (Las Toninas), à Europa (Portugal e Espanha) e África (Senegal e Cabo Verde). Tem ainda o Columbus III (Europa a Estados Unidos). Como esses estão prontos, são ultizadas essas rotas alternativas antes da entrada em operação do Américas 2.

A Embratel conta com 24 mil km de rede de microondas digital e uma rede nacional de comunicação por satélite com cerca de 60 estações terrenas.

A Emergia, do grupo espanhol Telefônica, promete começar a operar seu backbone submarino, o Sam-1, antes da Global Crossing: 31 de agosto. Vai ligar Las Toninas (Argentina), São Paulo e Rio de Janeiro. Em dezembro, pretende incluir Salvador, Fortaleza, Porto Rico, Flórida e Guatemala na sua rota. O projeto, que deve estar completo em fevereiro de 2001, inclui ainda pontos de presença na Colômbia, Peru e Chile; e dois backbones terrestres, entre Chile e Argentina, e outro entre Flórida, Nova York, Chicago e Los Angeles (EUA). Serão 23 mil km, com opções IP, SDH e Sonet, com capacidade de 40 Gbps, expansível a 1,92 Tbps.

A GlobeNet, com sede nas Bermudas, acaba de ser adquirida pela 360networks, do Canadá, por US$ 1 bilhão. A GlobeNet está instalando uma rede óptica submarina privada entre a América do Norte e do Sul. Até então chamada Atlântica-1, o backbone foi rebatizado de 360americas e terá 28 mil km. Em setembro fica pronta a primeira fase do projeto, que liga Estados Unidos, Bermudas e Brasil. O restante do anel, ligando o Brasil à Venezuela e, depois, aos EUA, deve entrar em operação em fevereiro de 2001, quando também fica pronta uma extensão de Fortaleza para o Rio e um trecho terrestre até São Paulo. O projeto estará finalizado no final de 2001, quando o Rio de Janeiro for ligado a Buenos Aires (Argentina).

A 360networks, que oferece banda larga e serviços de co-location, tem uma rede terrestre nos EUA pronta e está construindo o backbone submarino entre a América do Norte e Europa, ao mesmo tempo em que faz uma extensão terrestre na Europa e amplia a norte-americana. O grupo canadense prevê terminar o ano que vem com um backbone total de 91 mil km, conectando 90 grandes cidades em todos esses continentes.

AS ROTAS SUBMARINAS
Empresa Infra-estrutura (em km) Velocidade Atuação prevista
pronta projetada atual prevista
Case n.d. n.d. n.d. n.d. de Portugal ao Brasil, com parte terrestre na Europa
Global Telecom 140 mil n.d.
(ao redor da América do Sul)
10 Gbps n.d. dos EUA à Europa; dos EUA à Ásia; e dos EUA à toda a América do Sul, além de rotas terrestres
Embratel n.d. n.d. n.d. n.d. do Brasil à Argentina, África, Europa, EUA
Emergia n.d. 10 mil 40 Gbps (capacidade total) n.d. da América do Sul aos EUA, com rotas terrestres
GlobeNet n.d. 91 mil 2,5 Gbps n.d. dos EUA às Américas Central e do Sul; e EUA à Europa, além de rota terrestre

O que pretendem

"Não queremos ser operadores para evitar conflitos com os nossos clientes", diz Paulo Borges, da Barramar, salientando a vocação de continuar sendo provedor de meios de transporte. A Engeredes, ao contrário, tem planos futuros de ir para o acesso. Lourival Jorge Teixeira acredita que a tendência do mercado é que as empresas invistam fortemente onde está o cliente. "Vejo vários provendo acesso daqui a cinco anos e vejo entre cinco e seis empresas atuando em longa distância", afirma Teixeira. A Impsat, por sua vez, pretende atuar também na interconexão do serviço corporativo com as redes públicas, com a abertura do mercado de telefonia nos países onde tem presença.

De onde vem a demanda

No primeiro momento, diz Lourival Teixeira, da Engeredes, a demanda maior vinha das espelhos, mas agora há também necessidade de alto tráfego no setor corporativo - para LAN, PABX e intranet de alta velocidade - e nos prestadores de serviço. Teixeira salienta ainda que estão surgindo muitos dos que vêm sendo chamados de "varejistas de capacidade". Paulo Borges, da Barramar, por sua vez, tem sentido a demanda mais forte agora dos provedores de Internet.

A Copel (leia matéria sobre as utilities a seguir), do Paraná, que tem as teles como seus principais clientes no backbone, vem registrando aumento de demanda tanto dos provedores de Internet quanto de corporações. "Acredito que esteja aí nosso grande mercado no futuro", arrisca Marcelo Gonçalves Pinto, gerente de produtos e novos serviços da Copel Telecomunicações.

A Global Crossing prevê um grande aumento da demanda nos próximos anos. Seu principal executivo no País, Luiz Carlos Correia, acredita que o Brasil, hoje o 8o do mundo em telecomunicações, deverá ocupar a 4a posição em quatro anos. Para ele, todos os serviços vão demandar cada vez mais largura de banda, incluindo aí a Internet 2, e-commerce, e-business. E, enquanto a demanda cresce, o preço unitário da banda tende a diminuir. "Será a primeira vez que haverá mais oferta de telecomunicações no Brasil do que demanda."

O vice-chairman da MCI WorldCom e chairman da UUNET, John Sigmore, durante palestra no Supercomm 2000, realizado em junho em Atlanta, apresentou os últimos números referentes aos impactos que a Internet está tendo sobre as redes de telecomunicações no mundo. Segundo Sigmore, os backbones de Internet têm crescido de oito a dez vezes por ano. A demanda do mercado está toda dirigida à Web, diz o executivo, e a voz ocupará uma pequena parte dos backbones. Ele destacou alguns serviços e tecnologias que crescerão nos próximos 12 ou 24 meses, favorecidos pela banda larga, com ênfase na videoconferência que passará por uma transformação, com movimento real (real full motion video). Alertou também que a banda larga alavancará os serviços wireless, como telefonia celular e assistentes pessoais digitais, aplicações de computador para computador e dados.

Utilities adaptam redes para transportar telecomunicações

As concessionárias de energia elétrica, ou utilities, não estão deixando de lado a oportunidade de adaptar suas redes para atuar - e, ao mesmo tempo, aumentar suas fontes de receitas - no mercado de telecomunicações. Muitas delas criaram novas empresas ou unidades de negócios para fornecer serviços de telecomunicações e obtiveram autorização da Anatel para operar no mercado, seguindo uma tendência mundial.

Essas empresas têm cinco formas de atuar no mercado de telecomunicações: locação do direito de passagem; instalação de infra-estrutura passiva (também chamada de fibra apagada ou escura); construção e operação de facilidades para operadoras de telecomunicações; oferta de serviços específicos (transmissões de longa distância, acessos etc.); e atuação no varejo com acesso ao consumidor final.

A Copel, do Paraná, optou por ter uma unidade de negócio de exploração de serviços de telecomunicações e está investindo na sua infra-estrutura. A empresa não divulga valores, mas comenta-se no mercado que o volume de investimentos chega aos R$ 150 milhões na expansão da rede. Substituiu os cabos das torres de pára-raios por fibras, formando seu backbone OPGW. "Já temos a fibra lançada e estamos operando, pelo sistema SDH, nos troncos principais, nas maiores cidades do Estado", diz o engenheiro Marcelo Gonçalves Pinto, gerente de produtos e novos serviços da Copel Telecomunicações. São 2,4 mil km de rede, de Curitiba a Ponta Grossa, e há planos de expansão de 800 km de fibra OPGW. Há ainda anéis metropolitanos em Curitiba (quase pronto), Cascavel, Maringá e Foz do Iguaçu (em construção). A capacidade atual da rede é de 622 Mbps, com um trecho de 2,5 Gbps. "Temos planos de ampliar a capacidade de toda a rede para 2,5 Gbps e implantar novos serviços, como rede IP e vídeo." A rede IP, de acordo com Gonçalves Pinto, terá interconexão para fora do Estado. Ele adianta também que a empresa tem intenção em longo prazo de atuar em outras cidades fora do Paraná.

A Light, do Rio de Janeiro, criou a Light Telecom também para se focar na prestação de serviços de telecomunicações. A energética privatizada atua em 30 municípios cariocas, incluindo a região metropolitana da capital. Bruno Malburg, gerente comercial da empresa, conta que o backbone SDH pronto é composto por 230 km, cobrindo a região metropolitana do Rio de Janeiro, Zona Oeste e parte da Baixada Fluminense, tendo a Vésper e a ATL entre os clientes. A rede será ampliada em mais 410 km numa segunda fase, atingindo o extremo Oeste do município do Rio. Com capacidade de 2,5 Gbps, o serviço prestado pela Light Telecom é por circuitos dedicados, a partir de 2 Mbps. Malburg diz ainda que a rede de acesso da empresa conta hoje com 170 sites em 400 km. Entre 1998 e 99, foram investidos aproximadamente R$ 30 milhões. Até o final do ano, a Light Telecom pretende injetar mais R$ 10 milhões.

A Cemig, de Minas Gerais, iniciou no ano passado o projeto Infovias, com a construção de 380 km de linhas de fibra óptica naquele Estado, além de ampliar e implementar novas subestações. A rede SDH, segundo Lineu Ikeda, diretor técnico da Infovias, está oferecendo aluguel de circuitos dedicados para Internet em banda larga e transmissão de dados, voz e imagem. Primeiramente, ela está se dedicando à rede HFC (híbrida de fibra e cabo coaxial) de 3,5 mil km em 12 cidades e, numa segunda fase, estará construindo anéis em mais 40 municípios mineiros e fazendo a interligação entre eles. Ikeda afirmou que os anéis metropolitanos em Uberlândia e Sete Lagoas estão prontos, sendo a operadora de cabo Brasil Telecom um de seus clientes. "A Brasil usa a rede da Infovias desde o headend até o poste do assinante, cuidando apenas da ligação do tap (que fica no poste) à residência."

A AES, uma das maiores empresas de energia dos Estados Unidos, tem participação acionária na Cemig, Light e Eletropaulo Metropolitana (Grande São Paulo), além de ser proprietária da AES Sul (que atua em mais de cem cidades do Rio Grande do Sul) e ter o controle acionário da Eletronet. Esta última detém os ativos de transmissão de serviços de telecomunicações da Eletrobrás. No ano passado, a previsão da AES era injetar R$ 500 milhões até 2003 para implantar fibras ópticas pelas linhas de transmissão de energia da Eletronet, que totaliza uma infra-estrutura de 52 mil km de extensão.

A Eletronet, por englobar a infra-estrutura da Eletrosul, Eletronorte, Furnas e Chesf, tem capacidade de construir um backbone nacional rapidamente. Segundo Roberto Hudson, da Eletronet, a estratégia é prover transporte de serviços de telecomunicações, entregando-os na porta do cliente. Hudson conta que o backbone, que começou a ser construído em junho último, terá 19,1 mil Km de extensão, além de 2,1 mil km de cabo no segmento de acesso (last mile). A rede, trabalhando em DWDM com arquitetura SDH, será suportada por cabos ópticos tipo OPGW e ADSS. "Nossa rota de transmissão cobre 100 mil habitantes", diz o executivo. A primeira parte do projeto vai cobrir Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo, cujas operações começam em 2001. O projeto será estendido, então, para Brasília através de Goiânia; uma ligação Belo Horizonte/Vitória/Rio de Janeiro; região Sul; e, depois, Norte e Nordeste. O backbone deverá estar completo no início de 2003, quando incluir Palmas (TO). Está previsto um investimento de US$ 700 milhões.

A Gaspetro, subsidiária da Petrobrás responsável pela distribuição e comercialização de gás natural, passou também a cuidar dos negócios em telecomunicações. Ela está implantando fibras ópticas pela sua malha de gasodutos.

Pedro Luiz Jatobá, presidente da Associação das Empresas Proprietárias de Infra-estrutura e Sistemas Privados de Telecomunicações (Aptel), conta que várias outras empresas estão neste momento analisando mais profundamente o mercado e criando business de telecomunicações. Entre elas, estão as da Bahia e Pernambuco (ambas da Iberdola), do Rio Grande do Norte e de Brasília. A CEB de Brasília, por exemplo, lançou ações na Bolsa do Rio de Janeiro, no final de junho, com o objetivo de captar recursos para a construção de um backbone. As energéticas "estão ocupando um espaço importante no mercado, oferecendo soluções rápidas de instalação e com qualidade técnica", diz Jatobá.

OS BACKBONES DAS UTILITIES
Empresa Infra-estrutura (em km) Velocidade Atuação prevista
pronta projetada atual prevista
Cemig/Infovias 380 n.d. n.d. n.d. MG
Copel 2,4 mil 3,2 mil 622 Mbps 2,5 Gbps PR
Eletronet n.d. 19,1 mil n.d. n.d. Nacional
Gaspetro n.d. 10 mil n.d. n.d. Nacional
Light Telecom 230 640 2,5 Gbps n.d. RJ

A tecnologia PLT

A Aptel, entre outras ações, vem prospectando o desenvolvimento da tecnologia Powerline Telecommunications (PLT). Ela potencializa a rede elétrica para transmitir voz e dados, como informa Jatobá. Já em fase comercial na Europa e em testes na América do Norte e do Sul, a PLT promete grande potencial na ligação do poste à residência do usuário. Jatobá acredita que a tecnologia vai ao encontro das necessidades das teles, que têm falta principalmente do last mile. Essa tecnologia permite acesso a serviços de voz e dados através da tomada comum de eletricidade das residências. Na Inglaterra, porém, a PLT é utilizada para conectar uma segunda linha telefônica. Neste momento, o Centro de Pesquisas da Eletrobrás (Cepel) está realizando análises para adaptar a tecnologia às redes aéreas existentes.

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