Está prestes a sair o esperado regulamento de Serviço de Comunicação Multimídia
(SCM), marcando o primeiro passo da Anatel para desvincular serviço de
tecnologia. O SCM deverá impulsionar o acesso wireless em banda larga, o BWA,
porque deve ser a principal forma de prestação desse serviço. Para garantir
espaço de banda, a Anatel também prepara as diretrizes de uso de novas
radiofreqüências.
Enquanto se espera por essas regulamentações que trarão mais concorrência ao
mercado brasileiro, as principais operadoras investem em evoluções tecnológicas
para melhorar os seus serviços wireless, ampliando a capacidade de tráfego de
dados.
Na maioria dos casos, essa nova capacidade aplicada ao WLL atenderá à demanda
por velocidade de transmissão do mercado residencial, SoHo e de pequenas
empresas, mas ainda ficará aquém da necessidade das grandes corporações, que
são o grande filão para o acesso em alta velocidade. Mas estas grandes empresas
geralmente estão localizadas em áreas já servidas por backbones de fibras
ópticas. Mesmo assim, há provedores de serviços wireless que garantem altas
velocidades e QoS (Quality of Service) superior ao cabo. O custo entre as duas
formas de transmissão varia muito, de acordo com a distância e a necessidade
por largura de banda.
Ou seja, o interessado precisa analisar bem antes de fazer sua escolha.
Algumas operadoras de TV por assinatura em MMDS, por sua vez, aparecem como
prováveis concorrentes a esse mercado de transmissão de dados e acesso à
Internet em alta velocidade sem fio. A Anatel está autorizando a
bidirecionalidade do MMDS e esses operadores ainda contam com a possibilidade
de digitalizar suas redes, o que promove maior capacidade de banda.
Todo esse movimento do mercado não está acontecendo isoladamente. Vários países
europeus estão em processo de instalação de WLL, mas com velocidades superiores
às brasileiras. Além disso, a desregulamentação e privatização em vários países
está chamando a atenção de fornecedores e operadores americanos, que começam a
olhar e a atuar fora de suas fronteiras.
Se tudo isso se concretizar realmente em 2001, as formas possíveis de se
oferecer BWA provocarão um avanço nas telecomunicações brasileiras.
Sandra Regina da Silva
Editora
|