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ESPECIAL - BWA
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A multiplicação das fibras

Kelly Carrol

Players de BWA dos Estados Unidos avançam para o mercado internacional, através de parcerias ou montando subsidiárias locais, e garantindo presença em países com espaço para a competição

Sprint e WorldCom não só deram um novo fôlego à tecnologia do wireless fixo nos Estados Unidos como estão dando respaldo à idéia de levar a tecnologia para mercados internacionais. À medida que a banda larga vai conquistando mercados em diversos países, operadores e fornecedores norte-americanos se beneficiam deste crescimento, antes mesmo que a concorrência local pegue fogo.

O fornecedor de equipamentos para BWA Hybrid Networks se juntou à Sprint e à WorldCom para desenvolver estratégias de MMDS (serviço de distribuição multiponto multicanal) e agora está se lançando internacionalmente, com estratégia própria.

A Hybrid havia adiado seus planos internacionais até que a Sprint e a WordCom apresentassem resultados nos Estados Unidos.

"A tecnologia já foi aprovada no mercado mais exigente do mundo, os Estados Unidos", diz Michael Greenbaum, presidente e CEO da Hybrid. "Os mercados internacionais estavam esperando alguém tecnologicamente confiável para validar a tecnologia de MMDS."

Os investimentos da Sprint e da WorldCom no MMDS impulsionaram a tecnologia no resto do mundo, mas sua implantação é uma questão mais complexa. Cada país tem cultura e hábitos próprios, um desafio para as empresas norte-americanas que querem se estabelecer em mercados internacionais. A Hybrid, que possui 51 instalações em todo o mundo, remediou a situação ao formar parcerias com integradoras de sistemas, como Thomcast Communications e Andrew, ambas com presença internacional.

"A forma que nós vendemos para a Sprint e a WorldCom não vai funcionar em outros países. Por isso, os integradores de sistemas nos permitem fazer parte do mercado internacional", explica Greenbaum.

O contrato com a Andrew permite que a Hybrid tenha acesso a seus canais de venda e distribuição global; além de ser o fornecedor do serviço de Internet fixa sem fio da Andrews em Lima, no Peru. E um outro contrato permite à Hybrid participar das operações da Thomcast na França, Alemanha, Suíça e Estados Unidos.

Enquanto a Hybrid continua investindo nos Estados Unidos, seu crescimento vai acontecer fora do país. Greenbaum prevê que em 2004 os negócios de wireless fixo serão predominantemente internacionais.

Outro que está estendendo seus negócios para o exterior é o provedor de BWA Fuzion Wireless, que entrou no mercado latino-americano ao lançar seus serviços de banda larga na Cidade do Panamá, em agosto. A Fuzion vai oferecer acesso local para ISPs e redes de dados privadas para empresas locais e internacionais. Também vai fornecer sua solução de rede privada ponto-a-ponto PrivateBand, que interconecta diversos edifícios, escritórios internacionais, campi educacionais, instalações médicas e governamentais.

Para garantir a sua presença rapidamente em praças em que há demanda pelo wireless fixo, a Fuzion, bem como a Hybrid Networks, tem formado parcerias com empresas locais ou contrata alguém que conheça regiões específicas. Foi assim que o provedor conseguiu entrar no mercado latino-americano.

A Speedcom também se lançou no cenário internacional. Em junho passado, o fabricante de equipamentos wireless em banda larga chegou à América Latina, através de uma subsidiária brasileira chamada Wave do Brasil. Dois meses depois, criou a subsidiária mexicana para atender à crescente demanda por acesso à Internet em banda larga e por transporte de comunicação de dados privados em alta velocidade.

A Speedcom está trabalhando com ISPs baseados nos Estados Unidos ou na América Latina. O próximo passo da companhia deve ser a China e a Índia, segundo Patrick Pacifico, vice-presidente de marketing da Wave Wireless Networking, divisão da Speedcom Wireless International. "Sempre que uma companhia tem presença em um país, as empresas ficam mais dispostas a fazer negócios com ela. O wireless é um negócio bastante interessante para as empresas locais que queiram desenvolver serviços rapidamente", afirma Pacifico.

Tornar-se um player internacional significa se adaptar a diferentes regulamentações e descobrir quais as freqüências que podem ser usadas e onde. Mesmo assim, as oportunidades para o wireless fixo não param de crescer.

Mercados abertos

"Tem muita gente de olho na América Latina devido aos processos de desregulamentação e privatização que estão acontecendo por lá; há mais espaço para a competição", diz Philippa Evert, vice-presidenta de relações com investidores da Fuzion. A empresa tem planos de atuar no Chile, México e Venezuela num futuro próximo, conta Philippa.

O mercado externo tem atraído grandes e pequenas empresas de wireless, celular e broadband. E espera-se que esse mercado continue crescendo.

"O crescimento internacional dos mercados de acesso sem fio em banda larga e de outros serviços de telecomunicações é uma excelente oportunidade", diz Andy Fuertes, analista sênior da Allied Business Intelligence. "Expandir-se para além das fronteiras não é a prioridade dos provedores de wireless em banda larga, mas espero que os investimentos nesses locais continuem crescendo."

Os grandes players de telecomunicações já começaram a se ramificar no exterior com sua tecnologia em banda larga. A BellSouth International serve mais de 16 milhões de usuários na Ásia, Europa, América Latina e no Oriente Médio. A AT&T também formou parcerias no mundo todo. "O potencial para a banda larga é imenso e há espaço para muita gente", garante Philippa Evert.

A experiência européia

Na Europa, vários países estão dando licenças para o acesso em WLL, tornando possível novas companhias a atuarem no mercado residencial e de pequenas empresas, com tecnologias broadband.

FirstMark Communications - conseguiu licenças na Alemanha, Espanha, Luxemburgo, Polônia, Suíça, Finlândia e França. Só para a França, ela assinou contrato de US$ 100 milhões com a Alcatel para fornecer e instalar equipamentos de LMDS (Local Multipoint Distribution System) e IP sem fio.

Callino - a Alcatel também forneceu equipamentos de rede LMDS e IP para essa empresa alemã, que foram instalados em Munique, num contrato de US$ 200 milhões. Direcionado a pequenas e médias empresas, o serviço atinge acesso à Internet a velocidades de 8 Mbps e conexões telefônicas a 2 Mbps.

Deutsche LandTel - também comprou soluções de LMDS da Alcatel para Potsdam, na Alemanha.

Viag Interkom - fechou um contrato de US$ 475 milhões com a Marconi para desenvolver um sistema multiponto digital (DMS) em todo o território alemão. Os testes em Bavária e Brandenburgo mostrou capacidade de prover 8 Mbps.

Atlantic Telecom Group - planeja expandir seu serviço de telefonia doméstico na Grã-Bretanha com equipamentos BWA da DMC Stratex Networks (ex-Digital Microwave Corp.). Há alguns anos, a Atlantic compete com a BT em Glasgow (Escócia) e agora quer se lançar na Inglaterra usando a solução Altium da DMC na construção de um backbone WLL, como parte de um contrato de US$ 4 milhões para as versões 38 GHz e 26 GHz do Altium.

Retevision - com tecnologia BWA da Alcatel, a operadora de telecomunicações com 2,6 milhões de assinantes na Espanha está expandindo seus serviços de Internet, ISDN e circuitos dedicados para pequenas e médias empresas em Barcelona e Palma de Mallorca. A solução é baseada em LMDS. A Retevision planeja ainda expandir o BWA para Valência e Zaragoza.

Momento oportuno

Embora alguns observadores da indústria acreditem que as grandes operadoras norte-americanas devessem focar sua expansão nos serviços dentro dos Estados Unidos, agora é a hora de ocupar os mercados internacionais, os quais estão à beira de um boom em relação ao broadband. "Os mercados estão se desenvolvendo e, quem quiser vencer, terá que chegar cedo", aconselha Fuertes.

A oportunidade é o que deve nortear os investimentos internacionais. "Estamos querendo atender à demanda com uma forma alternativa ao sistema de telecomunicações local", explica Pacifico. "Com a privatização e a desregulamentação acontecendo no mundo todo, as companhias estão buscando alternativas de infra-estrutura no local. Por isso, deverá haver um crescimento muito maior no exterior. E a demanda aumenta pela incapacidade de a infra-estrutura local atender à carga de tráfego."

A conseqüência disso é que alguns mercados internacionais podem ter redes tecnicamente mais avançadas. "O mercado internacional de wireless fixo vai suplantar o norte-americano, devido à infra-estrutura defasada", diz a VP da Fuzion. Para ela, os mercados internacionais podem chegar na frente por terem partido direto para a tecnologia de banda larga, evitando a infra-estrutura com fio.

O próximo passo para o wireless fixo será oferecer voz, um componente que, segundo Greenbaum, se desenvolverá rapidamente fora dos Estados Unidos.

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