Todas as fichas no corporativo
Sandra Regina da Silva*
Autorizadas de SLE apostam no mercado corporativo, enquanto as
operadoras de telefonia estruturam departamentos focados para garantir presença
neste nicho.
Muitas empresas não têm claro quais as possibilidades e a oferta de serviços
ainda é confusa. Sem apostar em qual será a killer application, as empresas
autorizadas pela Anatel para prestar serviços de rede e circuito especializados
tentam encontrar sua forma de atuação, baseadas muitas vezes no feeling. E o
caminho para o sucesso, na opinião de Ernesto Flores, sócio da consultoria
McKinsey, é se estabelecer em nichos de mercado específicos.
Naturalmente, as teles estão atentas ao mercado corporativo, que corresponde à
parcela mais rentável do mercado de telecomunicações. Para isso, elas vêm se
estruturando, seja criando unidades de negócios, subsidiárias ou mesmo
diretorias específicas, muitas vezes diferenciando a grande corporação das
micro e pequenas empresas e do mercado SoHo.
Telemar e Intelig fizeram recentemente segmentações. A Telemar - que atende
grandes empresas, no que chama de segmento corporativo; e micro, pequenas e
médias, no segmento empresarial - criou mais uma divisão. Segundo Ricardo
Amorim, gerente de grupo de segmentos e canais empresarias, da base de 1,2
milhão de clientes do empresarial, 200 mil empresas foram separadas e
enquadradas como pequenas e médias, que passam a ser atendidas por agentes
autorizados a partir de março. As restantes são micro e atendidas pelo call
center e pelo ambiente web.
A Intelig, por sua vez, criou uma unidade específica para pequenas, micro, SoHo
e residencial. "Nossa divisão foi baseada no consumo e no potencial de compra",
informa Mauro Teixeira, diretor da unidade de negócios para o mercado
corporativo.
A GVT também tem unidade de negócios para o mercado corporativo, mas, como
explica Marcelo Seguchi, vice-presidente de corporate, a espelho já nasceu com
esse foco. Ou seja, não houve uma redivisão.
A Telefônica, de acordo com Marcelo Rodrigues, superintendente de marketing de
produto, optou por criar uma empresa separada, a Telefônica Empresas, para
atender as grandes corporações. Para os demais clientes, há unidades com
diretorias distintas, uma para as pequenas e médias empresas e outra para o
SoHo.
A Embratel sempre teve o mercado corporativo como alvo. Antes da privatização,
os clientes eram as próprias operadoras de telefonia. Depois disso, criou
diretorias distintas, uma para o mercado de massa (residenciais e pequenos
negócios) e outra para o corporativo (médias e grandes). Uma empresa-cliente é
direcionada para uma ou outra diretoria "dependendo do potencial de consumo de
telecom e não do seu faturamento", afirma Leonello Patitucci, diretor de
marketing da operadora. Ele cita como o principal diferencial da empresa de
longa distância o fato de ter o maior leque de produtos disponíveis. "São mais
de cem serviços, entre telefonia, dados e Internet. Fazemos tudo." No ano
passado, a Embratel começou a disponibilizar serviços para atender nichos mais
específicos demandados por pequenas e médias empresas.
Concorrência
As operadoras de telefonia, de uma forma geral, vêem as provedoras de SLE como
uma ameaça e, ao mesmo tempo, como clientes e como parceiras (as SLEs utilizam
a infra-estrutura e serviços das teles e vice-versa). É quando surge a figura
da "coopetição". Os prestadores de SLE estão aos poucos, descobrindo como
formatar sua atuação, preparando-se para uma concorrência mais acirrada. "Um
complementa o outro e, enquanto as incumbents podem tudo, as espelhos vão se
aproximando das SLEs", diz Marcelo Seguchi, da GVT.
A maioria dos provedores de SLE estão estruturando sua atuação no
desenvolvimento de soluções customizadas às necessidades dos clientes e, poucos
deles, em fornecer facilidades. Há alguns casos de focos em regiões ou
microrregiões delimitadas, ou em uma determinada tecnologia de acesso. Há ainda
algumas empresas se especializando em setores econômicos.
A Diveo, por exemplo, se focou em soluções de acesso wireless, diferenciando-se
pela rapidez de instalação: 15 dias a contar da abordagem inicial. Apesar de
contar com um backbone interligando as principais cidades, a Diveo está
limitando seu atendimento às empresas instaladas nas sete áreas onde tem rede
metropolitana.
A Vicom, ligada à Globo Cabo, vem procurando atender nichos de mercado onde
possa oferecer um valor diferenciado. "Procuramos ver o que pode ser feito com
a capacidade da banda larga, mais do que dizer que estamos vendendo 256 kbps,
512 kbps ou 155 Mbps...", diz Fernando Mousinho, diretor executivo de redes
corporativas da empresa, que conta com a capilaridade da rede de TV a cabo da
Net, além de continuar a utilizar transmissões via satélite.
Na Matrix, a gama de serviços oferecidos passa a ser ampliada, agora que sua
controladora, a Primus, comprou um link de 155 Mbps ligando São Paulo a Nova
York e inaugura em abril um novo data center em São Paulo. Assim, ela poderá
oferecer VPNs (rede privada virtual) ao mercado corporativo utilizando a sua
rede terrestre (que interliga São Paulo, Rio de Janeiro e Florianópolis) e
rádio também a 155 Mbps, terminar ligações vindas do exterior e fazer conexões
com a rede pública. A provedora tem serviços "empacotados", sob medida, através
do qual o consultor estuda e faz a solução com melhor custo/benefício.
"Transparência, rapidez na resolução de problemas e gerenciamento dos serviços
são algumas das características da Matrix", diz seu diretor administrativo e
financeiro, Walter Maia.
A Engeredes se posiciona na diversificação de disponibilidade de meios e está
caminhando para circuito especializado. No seu primeiro ano de atuação, se
concentrou como carrier de carriers e, agora, passa a atuar também no mercado
corporativo. "Não vamos introduzir, prover serviços, mas os meios para a
empresa ter o que quiser" dentro do universo da comunicação multimídia, explica
Lourival Jorge Teixeira, superintendente da Engeredes. Os serviços, porém,
poderão ser oferecidos através de parcerias com provedores.
Outro provedor com nicho definido, a Alta, além de delimitar sua área de
atuação a quatro cidades, vem se especializando em atender centros empresarias,
condomínios e hotéis. Há projetos especiais como o gerenciamento e suporte a
complexos condominiais e empresariais, como informa Fabiana Albrecht,
coordenadora de marketing da empresa.
A Atrium também se especializou no gerenciamento de serviços de dados, voz e
imagem para edifícios comerciais. Segundo seu diretor geral, Mauricio Vaz, o
público-alvo é composto por proprietários de condomínios, imobiliárias e
administradoras.
Além da cobrança
O setor não se deu conta totalmente ainda da importante ferramenta que os
sistemas de billing podem representar. Perguntadas sobre essa ferramenta de
marketing, a maioria se limita a informar se o cliente recebia uma única fatura
com cada serviço detalhado ou se era uma fatura para cada serviço contratado.
Portanto, as possibilidades representadas por faturas integradas, descontos
cruzados e outras estratégias associadas não está ainda na pauta das
operadoras.
Murilo Brasil, gerente de produtos broadband da Telemar, foi um que deu uma
resposta diferente: "Para as empresas de menor porte, fatura única para
facilitar, centralizando tudo, mas se o cliente quiser podemos abrir. Já para
as megaempresas, o sistema está sendo revisto". Ele explica que um novo sistema
de faturamento inteligente, chamado Arbor, está sendo adotado pela Telemar e
vai começar pelas grandes corporações. Isso porque essas costumam consumir um
leque maior de produtos e, mesmo que tenham dez CGCs, a necessidade de cada uma
delas é única e específica.
* Colaborou Eduardo Marcondes
Prestadoras de Serviços de Rede e Circuito
Especializados
Download no formato PDF (Adobe Acrobat)
Para visualizar arquivos PDF, você deve ter instalado em seu computador o Adobe
Acrobat Reader. Clique no botão abaixo para fazer o download.

|