publicidade
publicidade
Teletime
    pesquisa avançada  
 
ESPECIAL - Corporate broadband
TECNOLOGIA ÍNDICE
 
Várias opções, muitos desafios

Sandra Regina da Silva

Que tipo de acesso adotar? Qual arquitetura e protocolo? Como ter segurança na rede? E quanto ao SLA e QoS?

As soluções tecnológicas para se oferecer banda larga são inúmeras, com ou sem fio, utilizando satélites, rádio, fibra ou cobre. Dependendo do tipo de serviço oferecido e a infra-estrutura disponível, recairá a escolha da solução e da arquitetura e consequentemente do provedor. Especialistas e fornecedores indicam novos desenvolvimentos e testes experimentais no mundo inteiro. Todos procuram oferecer soluções de alta velocidade e largura de banda. E é rapidez a palavra chave para os clientes. "O mercado corporativo é como o residencial. Todos querem alta capacidade, que o acesso discado não dá", afirma Antenor Paglione Jr., diretor da Divisão NetServices da Promon*IP.

Do ponto de vista do acesso por fio, há duas tecnologias já amadurecidas competindo pela liderança do mercado: modems ADSL e cable modem, além do acesso direto por fibra óptica usado pelos usuários de maior porte.

A primeira é utilizada pelas operadoras de telefonia, pela rede de par de cobre. "Quando a planta é de boa qualidade e é bem controlada, pode chegar a velocidades de 1,5 Mbps a 8 Mbps (no downstream), dependendo do modem e da distância", conta Aldionso Marques Machado, consultor de telecomunicações do CPqD. Ele diz que o ADSL suporta distâncias de até 6 km entre o usuário e a central, mas o normal é entre 3 km e 4 km.

O cable modem, por sua vez, utiliza a rede de TV a cabo (coaxial) ou MMDS (wireless). Nessas redes a taxa que está sendo oferecida para empresas é de 256 kbps a 512 kbps. Machado diz que a capacidade de transmissão de dados pode chegar a 30 Mbps, mas, por ser a rede compartilhada, a velocidade cai bastante.

Para um futuro próximo, segundo o consultor do CPqD, está o VDSL (Very high data rate Digital Subscriber Line). Essa tecnologia ainda está em estudos. "Com a fibra óptica chegando mais perto do usuário - o último lance ainda é em cobre -, consegue-se cerca de 51,8 Mbps, mas há por enquanto uma limitação de distância de até 300 metros", explica Machado. Daqui a cerca de dez anos, a tendência é que a fibra chegue até a "casa" do usuário, hoje uma alternativa muito cara. Em tese, segundo Paglione Jr., o acesso ADSL terá maior penetração do que o cable modem, porque a rede telefônica tem maior capilaridade e extensão que o cabo.

Os defensores do acesso wireless por rádio, MMDS ou satélite não se dão por vencidos. "Há também muitas apostas no broadband wireless", afirma o executivo da Promon*IP. Para Luís Guilherme Testa, gerente de marketing da Diretoria de Redes Multisserviços da Ericsson, as principais vantagens do wireless são a facilidade e a rapidez de instalação. Não se aplica aqui uma comparação de custos entre uma tecnologia com fio e outra wireless, porque a implantação varia muito de acordo com a distância e a localização do cliente, considerando a infra-estrutura existente.

Testa acredita que para as incumbents a ordem é reutilizar as redes existentes, adotando soluções para poder oferecer broadband, mas para as novas operadoras de SLE a melhor opção é o wireless. Nenhum dos entrevistados, porém, acredita na transmissão via satélite como uma boa alternativa do ponto de vista econômico. O serviço de acesso à Internet por satélite a ser oferecido pela nova empresa da Embratel, Star One, embora tecnicamente comprovado, requererá um forte subsídio para ser competitivo.

Novo modelo

Mas isso não é o mais importante, na visão de Paglione. Ele acredita que as empresas terão que migrar seu modelo de negócio. "Em três ou quatro anos, os sobreviventes serão os fornecedores de pacote de serviço com conteúdo, fazendo com que o cliente precise de banda larga. O acesso tende a ser gratuito. Hoje, as empresas só vendem o acesso. Quem ficar nesse modelo, terá receita zero", alerta o executivo da Promon*IP.

Apesar de haver várias tendências tecnológicas, dependendo da infra-estrutura existente da empresa, há uma ponto claro:

"O IP é o consolidador disso tudo", afirma Paglione. A possibilidade de, através de modernas redes por pacote, o indivíduo ou objeto permanerem ligados a fontes de conteúdo e de supervisão é a grande revolução tecnológica e de serviços.

Para Aldionso Machado, do CPqD, a arquitetura mais interessante é o endereçamento IP e transporte em ATM, ou seja, IP sobre ATM.

Testa, da Ericsson, diz que a opção por ATM ou IP vai depender da demanda de serviços da operadora, independente do tipo de acesso, pois um simples adaptador transforma o tráfego na tecnologia escolhida. O executivo explica que para serviço de voz o ATM está mais consolidado e foi a opção da maioria das operadoras incumbents de voz. O principal motivo é porque o ATM garante qualidade de serviço (QoS) para tráfego de voz, permitindo contratos com garantia de qualidade (SLA). Mas "há uma tendência de tudo caminhar para o IP", afirma, completando que existem operadoras que optaram pelo IP de cara.

"O IP vai atingir brevemente a qualidade do ATM. Trata-se então de uma escolha tecnológica", analisa Testa.

Quando os serviços oferecidos são apenas de dados, o IP é a melhor alternativa, de acordo com o gerente da Ericsson. Os novos operadores, entretanto, estão optando por redes IP multisserviço já na partida.

Voz sobre IP

As empresas vêem a utilização de voz sobre IP (VoIP) para interligar diversos pontos de uma empresa, mesmo que estejam localizadas em países diferentes, como forma de diminuir custos.

Com a tecnologia IP, a voz é transformada em pacotes, que têm no entanto de ter prioridade sobre os pacotes de dados. Pode-se usar também apenas num enlace, como explica Marta Fernandez, gerente técnica da nova unidade de negócios Soluções IP do CPqD. "É o que tem acontecido com operadoras de telefonia celular, que alugam o enlace da tele fixa e utilizam o protocolo IP nesse enlace para baratear custos." Ela afirma, porém, que não há 100% de segurança e nem 100% de qualidade. Afinal, pode-se até ter atraso, mas esse atraso no caso de voz tem de ser constante.

Os testes de medição feitos para clientes, segundo Marta, mostram valores aceitáveis para se adotar o serviço. E ela enumera as principais razões para degradação do serviço: perda das informações em virtude da compressão; na transcodificação, há pontos sensíveis na passagem de rede de circuito para rede de pacotes; os roteadores têm políticas de tratar prioridades de pacotes, "enfileirando-os", e dependem de algoritmos, podendo causar atrasos na voz; e também deve ser avaliada a fragmentação dos pacotes pelos contêiners, pois o pacote passa por várias camadas podendo ser quebrado. "É um risco diante do seu custo mais baixo, porque o circuito é compartilhado e, nos silêncios, é reaproveitado", diz a gerente do CPqD. Sabe-se que o ouvido humano tem uma percepção limitada, nem sempre mostrando a distorção de qualidade de voz. Voz sobre IP tem sido uma solução adotada para a redução dos custos. "É preciso apenas escolher bem os protocolos, já que há opções boas e ruins", diz Marta, completando que muitas operadoras de telefonia fixa e móvel estão buscando implantar voz sobre IP. "Não é futuro. É para agora."

Antenor Paglione Jr. concorda, dizendo que voz sobre IP já é um fato. Ele cita a família de produtos Vectura, da Trópico, que pega o sinal da telefonia e joga para IP e vice-versa. "Quem testou, aprovou", conta. A Promon IP tem outros projetos, como um de voz sobre IP sobre Internet e outro de rede IP com voz trafegando sobre ela.

SLA e QoS

A médio e longo prazo não será possível o fornecimento de serviços de banda larga sem contemplar nos contratos a qualidade de serviço e sua disponibilidade, QoS e SLA. Como para o cliente o serviço é transparente quanto à rede, passa a ser responsabilidade do provedor assegurar o SLA e o QoS ao longo de toda a rede, independente de quem é o proprietário dos diferentes trechos utilizados. Obviamente isto cria enormes complexidades tecnológicas e de gestão de redes. Apesar de novos, quase todas as operadoras se mostram preocupadas com os assuntos e muitos trabalhos estão sendo desenvolvidos.

Há dois órgãos de padronização de QoS, o ITU-T (ligado à ITU) e o europeu ETSI. Para Marta, QoS em rede de circuito dedicado é certo, mas em rede IP é diferente, pois não há garantia de protocolo. São necessários agregar outros protocolos. Ela cita, por exemplo o DIFFSERIV, protocolo que associado ao IP dá garantias ao QoS; ou o RSVP, que reserva banda para aplicação, ou ainda outras tantas siglas. As redes ATM, por sua vez, são mais intrínsecas, por se tratar de diferentes tecnologias de enlace, explica a gerente do CPqD.

Paglione, da Promon*IP, não considera esse um tema prioritário no momento.

"O mercado não está comprando SLA e QoS. Não vejo como diferencial competitivo. A preocupação hoje é montar infra-estrutura e atuar com preço bom. O que representa 0,01% a mais?", questiona ele. Paglione acha que o SLA só pode ser oferecido na rede própria, sendo difícil existir uma solução com SLA fim-a-fim. Mesmo assim, a Promon dá SLA ao instalar redes Cisco e o cliente pode revendê-lo, desde que entre e saia pela rede Cisco.

Segundo Testa, da Ericsson, quando uma operadora procura uma arquitetura de rede, já escolhe uma que permita QoS e que seja capaz de oferecer vários níveis de SLA. "Existe uma preocupação em prover isso, porque é um diferencial competitivo para os clientes", conta.

Limitações

Os serviços mais usuais como transmissão de arquivos, e-mails, linhas dedicadas, interligação de filiais e acesso à Internet não impactam a implantação de acessos em banda larga. Quando o assunto é imagem, as limitações começam a vir à tona. Aldionso Machado conta que, quando se transmite imagens a 256 kbps, o que permite o envio de cerca de dez quadros por segundo, a imagem chega em "soquinhos". "Mas tem gente fazendo isso", diz ele. Para telemedicina, o consultor do CPqD calcula como mínimo necessário 2 Mbps. Além de necessitar de alta definição, precisa ser em tempo real.

"A taxa comercial de hoje não dá para esse tipo de aplicação", completa. Para Testa, da Ericsson, "pela variedade de tecnologia disponível, as limitações estão diminuindo. À medida que se passa a trabalhar numa rede de pacotes, passa-se a aumentar a capacidade de rede e a facilidade de se fazer upgrades, além de ser mais barato".

Um dos pontos mais delicados a se considerar é a questão do nível de segurança e sigilo das redes. "Pode-se minimizar a ação de hackers, mas não existe rede 100% segura", afirma Paglione Jr.

De acordo com ele, a VPN é a que tem mais segurança, mas deve-se ter em mente que os fraudadores estão sempre em evolução. "É como a teoria de Darwin. O predador aprende como a presa se comporta. Apesar de a VPN ser mais segura, o mercado não reconhece muito esses valores e quem opta por uma VPN é basicamente para redução de custos."

A gerente do CPqD, Marta Fernandez, concorda com o nível elevado de segurança da VPN, mas acredita que esse é apenas um ponto na busca de garantias. Há precauções a serem adotadas em três níveis, de acordo com ela. Na aplicação, a mensagem é criptografada (embaralhamento) e usam-se conexões seguras (SSL). No roteamento, há o IPSec, aspecto que implementa segurança, embaralhando campos importantes do protocolo. No enlace, entra a VPN. "Na VPN, há tunelamento entre dois pontos; então a partir da definição da rota todos os pacotes seguem o mesmo caminho. No protocolo IP não tem como garantir o caminho que será traçado", diz ela. Com garantias de segurança nesses três níveis é possível até mesmo assinatura de contratos via rede.

Um empecilho para o desenvolvimento mais rápido do mercado é que o comportamento humano muda muito lentamente, na opinião de Paglione Jr. "Não basta estar disponível, a pessoa precisa sentir necessidade." Mas uma coisa é certa: todos querem um acesso através do qual tenham tudo, com pacotes mais interessantes, sem precisar instalar um equipamento para telefonia, outro para dados, outro para acesso à Internet, e mais um para TV por assinatura... E, por isso, as apostas recaem sobre as uniões entre ASPs, que entendem de conteúdo com oferta de vários produtos, com quem tem capilaridade. Dois bons exemplos são a fusão AOL e Time Warner ou a aquisição do Terra pela Telefônica. É uma forma de juntar conteúdo com rede. "E depende do player para definir qual a melhor tecnologia", pontua.

Conheça as publicações da Converge Comunicações
TELA VIVA NewsPAY-TV NewsTI INSIDE OnlineRevista TELA VIVARevista TELETIMERevista TI INSIDE
Converge Comunicações

© Copyright Converge Comunicações. Todos os direitos reservados. A reprodução total ou parcial dos textos, imagens e arquivos deste site por qualquer meio ou forma depende de autorização por escrito da editora. TELETIME é uma propriedade da Converge Comunicações.