Na expectativa de consolidar a competição no serviço telefônico nacional, a
Anatel abriu neste mês de junho as primeiras licitações para as quase 1,4 mil
localidades onde não houve interesse das empresas-espelho em atuar. São cidades
das mais variadas configurações e tamanhos, de pólos turísticos como Campos do
Jordão/SP e Balneário Camboriú/SC a pequenas localidades como Glória/BA.
A procura pelos editais dos primeiros lotes, contemplando 482 localidades, foi
considerada pela Anatel acima da esperada. Não se tem ainda os nomes dos
concorrentes, mas já se pode presumir que boa parte é formada por operadoras de
TV paga, tanto por cabo quanto por microondas (MMDS) e por utilities, empresas
de energia, água ou gás, detentoras, além de backbones, de uma boa
infra-estrutura de postes e dutos, além do melhor cadastro de usuários
possível.
Vai dar certo? Não se pode dizer ainda. A Anatel corre riscos, como uma
possível invasão de testas-de-ferro das teles atuais em busca de trincheiras
avançadas no front adversário, esperando apenas o sinal verde da
desregulamentação total de 2002. Nos EUA, onde há cerca de 150 CLECs
(Competitive Local Exchange Carriers, como são conhecidas as espelhinhos por
lá), a tendência atual é de concentração, com fusões como a da Gabriel com a
TriVergent, no dia 13/6, que criou uma operadora com alcance em 40 cidades em
16 estados, ou a da Cavalier com a Conversent, que juntas operam em toda a
Costa Leste, da Flórida ao Maine.
Mas o mercado se mostra confiante, e neste suplemento especial procuramos dar o
máximo de ferramentas para quem quer entrar neste campo promissor, onde voz é
apenas uma parte de um jogo que envolve ainda a transmissão de dados e vídeo.
Além das dicas sobre os aspectos legais da licitação e sobre a tecnologia
disponível, aqui o empreendedor encontra dados fundamentais para montar seu
business plan, como a teledensidade e os dados demográficos de cada localidade
licitada. Então, mãos à obra e boa sorte.
André Mermelstein
Editor
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