O cliente valorizado
Sandra Regina da Silva
As operadoras de telecomunicação estão dispostas a dar tratamento
individualizado e não mais massificado aos seus clientes
Colocar o cliente no centro de toda a sua operação é a busca das empresas de
telecomunicação. Elas deixaram de lado o velho discurso de dar valor ao seu
cliente e passaram a buscar efetivamente um atendimento personalizado, agora
disponível através das ferramentas do CRM, no lugar de tratá-los de forma
massificada.
A Telemig Celular já usa algumas ferramentas para melhor atender seus clientes
e vai ampliar o leque. A CTBC Telecom também já deu início ao seu projeto,
enquanto a Vésper está em processo de escolha do fornecedor. A Globocabo,
multioperadora de TV por assinatura com a bandeira Net e que também tem o
Vírtua, serviço de acesso à Internet em banda larga, dá continuidade a um
projeto-piloto.
"Até o final do ano começaremos a implantar um CRM", informa Márcia Azeredo,
diretora de serviços a clientes da Vésper. Com apenas sete meses de operação, a
Vésper pretende com o CRM no front-end, que será integrado aos outros sistemas,
criar uma cultura de atendimento personalizado na empresa, mas também uma outra
de resultados. Márcia explica que o objetivo é uma redução de 50% no número de
pessoas a serem contratadas nos próximos dois anos, devido à uma maior
eficiência, e um ganho de 30% na produtividade do atendente.
O conceito CRM já tem algumas frentes implementadas na Telemig Celular, mas
novas ferramentas estarão sendo integradas passo-a-passo no decorrer deste e do
próximo ano. Inicialmente, o call center recebeu a maior atenção, devido à alta
demanda de tempo na venda do produto pós-pago, segundo Evandro Canabrava,
diretor de tecnologia da informação da operadora. "Houve uma reformulação,
usando a plataforma da web no processo de venda e obtivemos uma redução de 25
para cinco minutos no tempo de atendimento, o que representou um ganho de 20%
na produtividade do call center", conta ele.
Agora, é a vez de um planejamento mais geral de CRM e o fornecedor escolhido
foi a PeopleSoft, com a solução Vantive. Segundo ele, os objetivos são o
aumento da base (conseqüência da melhora no processo de venda), da
fidelização (com o atendimento personalizado) e da produtividade. "Temos que
buscar a qualidade para quando as bandas C, D e E entrarem", destaca o
executivo da Telemig Celular.
A CTBC Telecom também optou pelo CRM Vantive, customizado e implementado pela
Price. Atuando como um full service provider, pois provê telefonia fixa e
celular e comunicação de dados (sem contar a operadora de TV paga Image
Telecom, que faz parte do mesmo grupo, o Algar), em algumas cidades dos estados
de Minas Gerais, São Paulo, Goiás e Mato Grosso do Sul, a CTBC busca uma "visão
unificada dos clientes, que é o maior ganho do CRM", afirma Regina Dubles
Corrêa Belo Pereira, especialista em business intelligence da empresa. "Nosso
maior propósito é padronizar o atendimento, nada massificado", diz. Em todos os
níveis de atuação, o marketing tem que ser one-to-one, destaca ela.
Quando um cliente liga para o call center a partir de seu aparelho celular, o
sistema da Telemig Celular identifica-o e o atendente chama-o pelo nome. "Num
único aplicativo, toda informação e histórico do cliente, como seus dados e
atendimentos anteriores, estão disponíveis, melhorando o atendimento", afirma
Canabrava. Além disso, o sistema direciona a ligação automaticamente para
atendimentos específicos, de acordo com seu perfil, diferenciando um grande
cliente de outro de plano pré-pago.
Conseguir identificar o cliente e suas necessidades é a chave para poder
atendê-lo melhor, também na opinião de Márcia, da Vésper. Com CRM, a empresa
consegue ser mais eficiente e obtém uma maior efetividade na solução dos
problemas, diminuindo o retorno das ligações do cliente e maximizando o seu
valor. Mais do que isso a operadora pode diferenciar os heavy users, que trazem
maior lucratividade, dando a esses um atendimento melhor e oferecendo serviços
e produtos mais adequados ao seu potencial de compra. É claro, diz ela, que
também consegue-se combater o churn.
A Telemig Celular inicia ainda neste ano a segunda fase, implantando seus
sistemas de data warehouse e data mining com a PricewaterhouseCoopers, num
projeto que vai demorar entre cinco e seis meses. "Com isso, vamos evitar o
churn", explica Canabrava. O diretor destaca que, com a base de clientes
segmentada, poderá lançar produtos e serviços para usuários específicos, além
da possibilidade de se medir resultados. "Vamos gerenciar se as campanhas estão
de acordo com as expectativas."
A fidelização do usuário é importante, devido ao seu valor ao longo do tempo,
já que o custo de sua aquisição é diluído com o passar do tempo. "Quanto mais
tempo ele fica na base, maior será a lucratividade da operadora", diz Márcia.
Diante do prospect
Na aquisição de um novo assinante, o CRM também representa uma importante
ferramenta. On line, pode-se saber se há registros anteriores do prospect. Além
disso, é respondido um questionário, também on line, que gera scripts
inteligentes contendo os melhores produtos e serviços a serem oferecidos ao
potencial cliente.
Outro ponto levantado por Márcia Azeredo, da Vésper, é a possibilidade de
rotear chamadas entre os dois call centers da operadora (Campinas e Macaé) para
evitar a ociosidade de pessoal. Pode-se ainda direcionar uma chamada para um
atendente específico que tenha conversado com esse mesmo cliente num contato
anterior. Há ganho também nos acessos via e-mail e fax, pois todos passam a ter
o mesmo tratamento de um telefonema."Hoje, não há sincronismo entre os grupos
que respondem ligações telefônicas, e-mails ou fax, e nem gerenciamento de
tempo. Então, não dá para medir a produtividade do operador", pontua a diretora
da Vésper. Visando essa produtividade, a operadora quer fortalecer suas
campanhas de incentivo e está implantando um sistema de monitoração que grava
as ligações e registra as telas que o operador acessou. Com os relatórios desse
sistema, funcionários saberão de suas falhas e passarão por novo treinamento.
A Globo Cabo tem pela frente um grande desafio: integrar todas as suas 45
operações que usam sistemas diferentes, incluindo a Net Sul, recentemente
incorporada pela Globo Cabo. "Optamos por criar um front-end único", conta
Ricardo Rodrigues, diretor das centrais de relacionamento da Globo Cabo. Foi
escolhida a solução da Siebel, implantada pela Andersen Consulting. O
projeto-piloto, com um modelo inicial para suporte e atendimento,
possibilitando um conhecimento mais aprofundado do usuário, detalhando seus
desejos e espectativas com o serviço, está sendo testado na cidade de São
Paulo, somente com os assinantes da Net que têm o Vírtua. O objetivo, segundo
Rodrigues, é dar um atendimento one-to-one, agrupar os clientes de acordo com
suas características específicas e atuar de forma mais segmentada. "Vamos
aumentar o escopo do produto e das operações que integraram o sistema por
fases", diz.
A solução escolhida é composta por três módulos: o do projeto-piloto, que em
breve será estendido a mais cidades e também aos assinantes somente de TV paga;
o da força de vendas, já implantado nas 19 operadoras da Globo Cabo e que,
depois, será adotado nas 26 cidades da Net Sul; e o do atendimento no campo,
que inclui ordens de serviço, previsto até o início do próximo ano.
Com as ferramentas, a Globo Cabo pretende ter ganho nas vendas e na
produtividade dos atendentes de call center e maior fidelidade do cliente, pois
será melhor atendido e também terá acesso a produtos mais adequados.
Conseqüentemente, deverá reduzir o churn rate. "O custo de perder um
cliente não pode ser recuperado depois", analisa Ricardo Rodrigues. Então, é
necessário fazer tudo para mantê-lo fiel.
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