Nos planos, a produção local
Sandra Regina da Silva
Fabricantes esperam o setor começar a decolar para colocar no
mercado equipamentos nacionais relacionados ao acesso rápido, principalmente
modems.
Os fabricantes de modems para ADSL, cabo e MMDS estão vivendo uma época de
grandes expectativas. Muitos aguardam o crescimento do mercado e o
conseqüente aumento da demanda para iniciar a fabricação de equipamentos
no Brasil. Só esperam assinar novos contratos.
A Terayon foi a primeira a iniciar a produção local, em setembro de 2000, de
forma terceirizada. Atualmente, são feitos no Brasil os modems com tecnologia
proprietária S-CDMA, utilizada na planta da Globo Cabo e, segundo Marcelo
SantAnna, diretor geral da Terayon no Brasil e diretor de vendas para a
América Latina, a empresa tem planos de começar a produzir os modems de padrão
Docsis. "Vai depender de como vai ficar o mercado", diz ele.
A opção por terceirizar a produção é para que a Terayon não desvie do seu foco,
que é o desenvolvimento de tecnologias - atualmente atua com modems para cabo e
MMDS, SDSL (simétrico de até 2 Mbps, mais indicado para pequenas e médias
empresas) e soluções via satélite. Dessa forma, a companhia continua a investir
em novidades para o mercado, sendo a principal delas a tecnologia "advanced
phy", que vai unir os benefícios do Docsis com o S-CDMA e ter capacidade para
voz sobre IP. "Já temos um protótipo desse novo sistema, mas esperamos a
homologação do Docsis 1.1 pelo CableLabs, previsto para o final deste ano",
conta SantAnna. Então, a expectativa é que no início de 2002, o novo
sistema da Terayon esteja disponível. Paralelamente, a fornecedora desenvolve
sistema de voz circuitado sobre rede de cabo, como opção para as operadoras
poderem oferecer voz já na liberação do setor pela Anatel, a partir do ano que
vem. Todas as novidades serão, inicialmente, importadas, mas quando compensar
podem ser feitas no Brasil.
A Ericsson pretende seguir o mesmo caminho e produzir no País. A empresa acaba
de lançar seu cable modem - já adquirido pela Time Warner Cable nos EUA - e
modem para ADSL e espera que haja grande demanda por eles. Segundo Luís
Guilherme Testa, gerente de marketing, além de terem interfaces de Ethernet
(para LAN) e de USB (que dispensa placa de rede no PC) no mesmo equipamento, os
modems vêm com um dispositivo de pipelock (uma espécie de firewall). "Se
conseguirmos conquistar o market share que planejamos, há chances de iniciar a
fabricação local ainda neste ano", revela Testa.
Para conquistar a fatia de mercado que pretende, a Ericsson também aposta num
outro lançamento mundial: o Instant ADSL. Trata-se de uma solução criada que
permite a auto-instalação do acesso por ADSL, dispensando a visita de um
técnico. Consiste num kit - composto por modem, CD de instalação e
configuração, plugues para teste de linha, cabos de conexão e manual de
instalação - para ser vendido nas lojas varejistas. Depois de realizar a
instalação, que segundo Testa é muito simples, o usuário liga para a operadora,
que deve ter sua rede pronta para o serviço, e pede a ativação do ADSL. A
solução está em testes e a comercialização está prevista para meados deste ano.
"O custo para a operadora será reduzido, porque dispensa a visita de técnicos à
casa do usuário, e pode ser repassado para o preço final", afirma Luís Testa,
completando que o Instant ADSL "vai ajudar a alavancar o mercado".
Mais projetos
Mas não é só a Ericsson que tem planos de iniciar a produção local de modems. A
Motorola tem estudo de viabilidade para produção de cable modems, na unidade de
Jaguariúna/SP ou Manaus/AM, mas espera o momento certo para poder dar o start.
A Gilat, parceira da Embratel no projeto Starband (acesso à Internet
bidirecional via satélite), quer fabricar set-top boxes no Brasil a partir de
2002 e exportá-los para Argentina e Chile. A Nortel pretende, neste ano,
produzir na fábrica instalada em Campinas/SP equipamentos para a próxima
geração de celulares com tecnologias GSM/GPRS e CDMA/1xRTT, que permitem acesso
à Internet.
A Unicoba, representante brasileira da Axesstel, uma das fornecedoras de WLL
para a Vésper, planeja produzir os equipamentos para broadband que está
trazendo para o Brasil de duas empresas coreanas, Digitel e Gigalink, em sua
fábrica em Ilhéus/BA no meio do ano. São modems ADSL de até 8 Mbps de
velocidade com splitter embutido da Digitel e a tecnologia TDSL (Time Division
Duplex Digital Subscriber Line) da Gigalink. "O TDSL possibilita a transmissão
simultânea de voz e dados com velocidade constante de até 2 Mbps (upstream e
downstream) sobre o par metálico existente nos edifícios com distância de até 1
km (dentro do edifício)", explica Carlos Frediani, gerente de produto da
divisão broadband da Unicoba. Trata-se de uma solução de banda larga para
prédios, que suporta qualquer tipo de backbone (cobre, cabo, fibra óptica,
wireless). "O acesso à Internet é feito por um único meio para vários pontos
dentro do edifício. Ou seja, é necessário uma linha ADSL ou um cabo coaxial
para atender vários assinantes no edifício."
O acesso residencial à Internet em alta velocidade no Brasil tem sido oferecido
por operadoras de telefonia fixa e de TV por assinatura, utilizando,
principalmente, duas tecnologias de acesso: ADSL, para as redes de par trançado
(cobre), e cable modem, tanto para as redes de cabo quanto de MMDS. Existe
ainda o ISDN, pouco utilizado no Brasil, e tecnologias wireless (exceto a TV
via MMDS), mais aplicadas ao mercado corporativo ou para áreas geográficas não
cobertas por outras tecnologias. A Gilat em parceria com a Embratel planeja
para maio o lançamento do Starband, um serviço de acesso à Internet
bidirecional via satélite em banda Ku. A plataforma da Starband permite
velocidades de 40 Mbps (downlink) e 300 kbps (up), segundo o presidente da
empresa no Brasil, Paulo Ricardo Pinto. Ele conta que inicialmente o
público-alvo é formado pela classe A/B e SoHo, fora da área metropolitana.
"Temos 100 mil clientes potenciais cadastrados." A desvantagem, sem citar o
custo elevado, é o delay do sinal, inviabilizando por exemplo jogos
interativos, justamente pelo satélite ficar em órbita a 36 mil km da Terra.
Há também outras opções de wireless fixo, como o WLL, que já vem sendo
implementado pelas teles para o serviço de voz. As taxas, no entanto, são muito
baixas.
A Nortel, por exemplo, informa que tem uma solução de wireless access. É um WLL
em banda larga (o IFWA), que opera na freqüência de 3,5 GHz, baseado em
TDMA-10. "A solução já está pronta. Há uma planta instalada pela Axtel,
operadora mexicana, mas ainda não foi comercializada no Brasil", conta Donald
Mulhen, gerente de marketing de produto Internet fixed. Hoje atinge velocidade
de até 96 kbps, mas há projetos para chegar a 512 kbps.
O cable modem two-way permite acesso a dados e também suporta serviços de
telefonia via IP. A vantagem é que a operadora já está na residência "certa"
(há concentração nas classes A e B). A desvantagem é tecnológica. Pela rede ser
compartilhada, a velocidade cai. A capacidade total é, em média, de 30 Gbps no
downstream e 10 Mbps no upstream, mas as operadoras de cabo e MMDS vêm
oferecendo serviços de até 512 kbps. O limite do mercado de cable modems atual,
segundo Antônio Leilson de Castro Ramos, gerente de business development da
Motorola, é de 2 Mbps, mas "há trials de desenvolvimento de novos produtos." A
Motorola vem registrando uma demanda crescente por cable modems e a estimativa,
a partir de pesquisas com cerca de 12 operadoras (fora a Globo Cabo), é que
essas pretendem adquirir aproximadamente 90 mil cable modems em 2001.
No caso do ADSL, a velocidade é em geral de até 2 Mbps no downstream e 640 kbps
no upstream. Aldionso Marques Machado, consultor de telecomunicações do CPqD,
afirma que é possível se chegar a 8 Mbps no downstream. Há também o padrão ADSL
G.Lite, de até 1,5 Gbps, que tem como vantagens não interferir dados na voz e
dispensar o splitter, segundo Mulhen, da Nortel. Outra vantagem do ADSL,
complementa Carlos Lopes, gerente de marketing de produto do segmento de local
internet da Nortel, é que há "espaço disponível no cobre, precisando apenas de
modem na casa do usuário e equipamentos na central".
Os cable modems que, em sua grande maioria, seguem o padrão Docsis terão
atualizações seguindo os desenvolvimentos do CableLabs. O passo mais aguardado
hoje é o lançamento da versão 1.1, que entre outras coisas incorporará
capacidade de voz. Já para a tecnologia ADSL, o próximo passo é o VDSL, com
mais fibra óptica no lugar do par metálico e a velocidade chega a cerca de 51,8
Mbps. Por enquanto, há uma limitação de distância de até 300 metros entre o
modem e a central. Com a produção local de modems, os custos dos equipamentos
irão cair, resultando, provavelmente, em redução nos preços para o consumidor
final. Assim, mais usuários poderão ter o serviço, o que aumentará a demanda e
assim por diante. E todo o mercado ganha.
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