O cenário para o novo serviço
Samuel Possebon
Além de uma porta de entrada a outros concorrentes, serviço também
é uma possibilidade para as empresas hoje em operação fundirem-se ou
reorganizarem-se.
Desde a licitação para a banda B do celular que um novo serviço de
telecomunicações não causava tanto barulho do mercado. O SMP é a versão
brasileira do PCS norte-americano.
A Anatel estima que o SMP renderá aos cofres públicos cerca de R$ 5,8 bilhões
pelas nove licenças que devem ser postas à venda. Isso dá cerca de R$ 640
milhões, em média, como valor de referência para cada autorização. É mais do
que foi estabelecido como preço mínimo para muitas das teles de banda A
vendidas na época da privatização da Telebrás e muito parecido com o que se
pediu pelas licenças de banda B na cidade de São Paulo ou no interior do estado
paulista.
Outro detalhe importante do SMP é o contexto em que ele deve se inserir. A
Anatel promove a licitação quase ao mesmo tempo em que liberará o mercado de
telecomunicações. Pelos números da Anatel, que até agora têm sido
sistematicamente superados, o SMP terá bastante espaço para ocupar.
O serviço é, além de uma porta de entrada a outros concorrentes, também uma
possibilidade de as empresas que estão hoje em operação fundirem-se ou
reorganizarem-se de modo a ganharem escala. Existem limites para que isso seja
feito. A quantidade de players no mercado de telefonia celular no Brasil é
acima da média mundial (são cerca de nove grupos diferentes controlando todas
as operações) e ninguém esconde que as fusões são inevitáveis. O que se pode
notar é que a maior parte dos players é composta de grandes grupos
internacionais. Sempre vale lembrar que boa parte deles está pesadamente
comprometida com os leilões para as freqüências de 3G na Europa, o que tem
envolvido cifras astronômicas. Na Alemanha, a licitação está fazendo com que as
empresas desembolsem quase US$ 46 bilhões só com as licenças. Na Inglaterra o
leilão de autorizações para 3G consumiu outros US$ 35 bilhões. Na Itália, a
expectativa é de que sejam gastos US$ 14 bilhões, e por aí vai em outros países
como a Suécia, que também já prepara a sua licitação.
Um outro desafio para as operadoras de SMP será a competição com a telefonia
móvel já existente, que hoje está presente em mais de 2,2 mil municípios
brasileiros, segundo a Anatel, e também com a crescente teledensidade das
operadoras de telefonia fixa. Na tabela das próximas páginas você confere a
listagem de todos os 508 municípios com mais de 50 mil assinantes existentes no
Brasil. Destes, há mais de 340 localidades cuja teledensidade não chega à média
nacional, que está em torno de 20 telefones para cada 100 habitantes (20%). Mas
há aquelas que estão muito bem atendidas, como Vitória/ES, que conta com
teledensidade superior a 60%.
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