Começa nestes meses de janeiro, fevereiro e março aquele que é provavelmente o
passo mais importante do setor de telecomunicações desde a privatização do
Sistema Telebrás, em 1998. A licitação do SMP (Serviço Móvel Pessoal) não marca
apenas a entrada de novos competidores no mercado de telefonia móvel. Ela
marca, sim, o início da consolidação do mercado brasileiro, quando as
estratégias dos grandes grupos nacionais e estrangeiros começam a se delinear
de forma mais clara, alguns optando por crescer através de fusões e aquisições,
outros disputando as bandas C, D e E, alguns esperando a terceira geração de
telefonia móvel, outros apostando em soluções intermediárias (2,5G).
São bem poucos os que se arriscariam a vislumbrar um cenário com quatro ou
cinco operadoras celulares em uma só localidade.
Com a entrada em cena do GSM, os fornecedores devem bancar financiamentos
generosos para garantir sua fatia no mercado.
A nova tecnologia, somada às novas realidades de roaming, interconexão,
transmissão de dados e escolha de prestadora, cria também novas necessidades e
oportunidades para provedores de billing systems, data centers, backbones e
handsets.
O que se espera é que não ocorra o que aconteceu em muitos casos com as
operadoras que entraram no mercado no período pós-privatização, quando muitas
começaram a operar sem ter resolvido todos seus problemas com faturamento,
roaming ou cobertura. Espera-se um mercado mais maduro, não só no que diz
respeito à adequação tecnológica, mas também à racionalização econômica, com o
compartilhamento em termos razoáveis de infra-estrutura de sites e redes.
Neste suplemento, procuramos entender o impacto destas mudanças entre os
provedores de equipamentos, sistemas e serviços para a telefonia móvel. Não são
apenas novas empresas entrando no mercado ou as mesmas empresas que atuam hoje
expandindo suas áreas. É também a chegada de novas tecnologias que, se as
promessas se cumprirem, elevarão o celular a outro status dentro do uso pessoal
e profissional, com serviços de alto valor agregado. Acima de tudo, o SMP vai
generalizar a competição em cada um dos mercados e é a competência no marketing
e no serviço que vai determinar o sucesso das operações.
André Mermelstein
Editor
|