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ESPECIAL - SMP 2001
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Aluguel de sites pode sofrer com retração da economia

Cleusa Carmona, do Rio de Janeiro

Co-locação é vista como um bom negócio, mas há receio de que a desaceleração nos EUA se reflita sobre os negócios do setor no Brasil.

Prática usual nos Estados Unidos e na Europa, a co-locação de sites (infra-estrutura para a instalação de ERBs) para diferentes operadoras seria uma das alternativas mais vantajosas para que as novas empresas de telefonia móvel entrassem rapidamente na concorrência.

A perspectiva de crescimento nos negócios ainda existe. Contudo, em função da recente retração do mercado norte-americano e da provável escassez de dinheiro novo por aqui, as empresas internacionais especializadas em construção e gerenciamento de sites mostram-se mais cautelosas. Poucos admitem que os investimentos previstos para o País em 2001 possam ser revistos em função da dificuldade de captação de recursos, mas evitam revelar as estratégias de ação para os próximos meses.

A empresa israelense Giltek, por exemplo, confirma que mantém o interesse na compra de sites, especialmente em São Paulo, para atender a demanda da banda C, mas não revela com quantas empresas nem com quem está negociando. O diretor de marketing, Gil Kremer, diz que o objetivo da empresa é somar até o final do ano pelo menos mil sites, entre aquisição e construção, numa média de cem novos sites a cada mês. Kremer adianta, porém, que a meta poderá ser revista após o primeiro trimestre se a economia norte-americana continuar a dar reflexos negativos. Atualmente, a empresa tem 80 sites em São Paulo, mas espera estender seus domínios também nas cidades do Rio de Janeiro e Brasília.

São Paulo e Rio de Janeiro são consideradas as praças mais rentáveis para quem dominar o aluguel do setor. Em cada uma delas estima-se que as novas operadoras da banda C tenham de viabilizar uma rede de 400 a 500 sites para cobrir pelo menos 80% da área de concessão. Com um aluguel por operadora na faixa de R$ 4 mil a R$ 5 mil e prevendo uma co-locação no mesmo site para até três empresas, o rendimento mensal poderá chegar a R$ 15 milhões.

Olho no mercado

Com a intenção de ser líder no Brasil, ainda em 2001, na oferta e gerenciamento de sites e torres de telefonia, a American Tower promete investir algumas centenas de milhões de dólares no País e anunciar, em breve, diferentes tipos de parcerias - hoje em fase de finalização - envolvendo companhias brasileiras de telecom.

De acordo com Lawrence Gleason, diretor de desenvolvimento de negócios, a empresa, com sede em Boston mas que já abriu escritório em São Paulo, tem mais de 10,8 mil sites nos Estados Unidos, México e Canadá. No México, é a maior operadora independente de torres de transmissão para celulares e broadcast.

Outra empresa na disputa pelo controle de torres no Rio e em São Paulo é a norte-americana Crown Castle. Para os investimentos no País confirmou ter reservado capital de US$ 300 milhões. Agora, porém, a empresa prefere manter sigilo absoluto das próximas ações.

Pelo menos uma empresa que brigava pelo gerenciamento de novos sites, a LCC International (coligada da Global Towers Venture - GTV - norte-americana), já admite um corte brutal nos investimentos estimados para o Brasil em 2001. De um total de US$ 40 milhões previstos, a GTV confirmou que deverá oferecer para o País apenas 10% ou 20% desse total. "A verdade é que o dinheiro sumiu nos Estados Unidos e em função dessa variação fomos avisados do corte", lamenta o vice-presidente da LCC, Carlos Alberto Nicolini.

Ele acha que as empresas só conseguirão entrar em operação se construírem e instalarem as próprias torres de transmissão. "Acho que faltará dinheiro para as empresas de gerenciamento e quem quiser entrar em operação com a banda C terá de construir os próprios sites", explica Nicolini, prevendo que o crescimento do setor de aluguel fique para depois, com as bandas D e E.

Nesse caso, as novas operadoras terão de rever os próprios orçamentos, já que a construção pura e simples, sem a instalação dos equipamentos, de um nova torre não sai hoje por menos de R$ 200 mil, segundo avaliação do representante da Giltek. Com a responsabilidade de ter de construir entre 400 e 500 sites para apenas começar a cobrir a região da capital paulista, por exemplo, as empresas terão de dispor de uma quantia considerável a mais no orçamento.

Procuram-se backbones

Vanderlei Campos

As condições das licenças, as novas regras da Anatel e os requisitos dos novos serviços de comunicação móvel implicam uma revisão no modelo de infra-estrutura, para atender, em tempo, as exigências do mercado. "Pelos prazos estabelecidos, as operadoras terão que correr para estabelecer suas coberturas urbanas", constata Marcos Araki, coordenador de marketing da Harris, fornecedora de enlaces wireless para interligação de centrais e ERBs. Ele observa que a utilização da freqüência de 1,8 GHz impõe um planejamento de células mais restrito, o que pode representar um custo significativo, até mesmo em investimento imobiliário, na construção da rede de ERBs. O tráfego previsto - para transmissão de voz e serviços de dados - também já aumenta a demanda de largura de banda entre os nós da rede. "Hoje, trabalha-se com até quatro canais E1 (2 Mbps), mas essa capacidade poderá ter que ser expandida", avalia.

As áreas de cobertura definidas, e a inclusão das companhias de SMP e SMC como alternativas para ligações de longa distância, também colocam a necessidade da construção de backbones nacionais. "Num primeiro momento, as operadoras vão optar pela contratação de meios de terceiros. A médio prazo, vão construir sua própria infra-estrutura", prevê Luiz Tarquínio, gerente de engenharia wireless da Siemens. Para obter mais flexibilidade na contratação de provedores terceiros, os equipamentos também teriam que estar preparados para enlaces com múltiplas tecnologias de transmissão. Além do tradicional TDM, é recomendável que os equipamentos sejam capazes de lidar com outros protocolos de transporte, como ATM, Frame Relay e IP.

"As operadoras podem contratar os dutos (de fibra, linhas de satélite e outros meios), ou comprar capacidade, com acordos de nível de serviço", diz Álvaro Marques, presidente da TelComp, que representa os provedores de serviços especializados de transporte de dados. Ele explica que os estados de Minas, São Paulo, Rio, Distrito Federal e Paraná já apresentam uma oferta de infra-estrutura capaz de atender a um crescimento explosivo de demanda. Até o final deste ano, toda a região Sul estaria coberta e a região Nordeste deve ter a situação estabilizada até o início de 2002.

O tráfego gerado pelos serviços de dados, a exemplo do que já ocorre na telefonia fixa, faz com que as operadoras planejem redes mais eficientes para racionalizar a qualidade e o custo das aplicações. "A maioria das operadoras que vêm com GSM querem estar prontas para o GPRS. Embora, neste momento, a telefonia continue baseada em comutação de circuitos, as centrais já devem ser capazes de separar os serviços de dados e direcionar o tráfego para um backbone IP", afirma Luís Serra, gerente regional da Cisco. "As aplicações baseadas em convergência, como mensagens unificadas, seria um grande apelo para estender e integrar facilidades típicas da web aos usuários de celular", argumenta.

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