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ESPECIAL - SMP 2001
HANDSETS ÍNDICE
 
Para todos os gostos e bolsos

Luiz Moura

Indústria aposta em sofisticação e preço baixo como principais atrativos dos aparelhos GSM.

Os fornecedores de handsets trabalham com a perspectiva de que as operadoras de SMP atacarão pelos dois extremos do mercado: tentarão atrair os clientes mais rentáveis de operações já existentes com serviços sofisticados e exclusivos e, ao mesmo tempo, buscarão com aparelhos básicos mais baratos os consumidores das classes menos favorecidas, que ainda não têm um celular.

O principal apelo do GSM para os heavy users será o GPRS, tecnologia de transmissão wireless por pacotes com a taxa teórica de 156 kbps, que abrirá espaço para uma série de aplicações, unindo alta capacidade de transferência de dados à mobilidade. O destaque deve ficar por conta dos serviços de localização do usuário, como indicações de direções e de estabelecimentos comerciais para motoristas, e de aplicações de m-commerce.

As operadoras também tentarão roubar das concorrentes os clientes mais valiosos, especialmente aqueles que viajam mais, com maiores possibilidades de roaming automático nacional e internacional. Por isso, já consta dos portfólios planejados pelos fornecedores nacionais aparelhos triband (800 MHz, 1,8 GHz e 1,9 GHz), para cobrir todas as faixas de freqüências utilizadas mundialmente em GSM, e dual mode GSM e TDMA, para roaming com operações nacionais e estrangeiras que usem esta última tecnologia.

Para os usuários com menor poder aquisitivo, principalmente os potenciais clientes de serviços pré-pagos, a vantagem a ser explorada será o preço mais baixo que os das tecnologias TDMA e CDMA, devido à maior escala de produção mundial no GSM. Mesmo com as bases produtivas ainda no início de operações no Brasil, os handsets sairão das fábricas a custos inferiores aos das tecnologias concorrentes, garantem os fornecedores.

"A economia de escala atua nos insumos. Os conjuntos de chips usados nos aparelhos GSM custam 20% a 30% menos que os de TDMA e CDMA", explica Paulo Stark, diretor da área de terminais da Siemens.

É fato que o preço dos novos aparelhos no Brasil dependerá ainda de outros fatores, como os volumes a serem produzidos e a produtividade das plantas locais. Mas, de qualquer forma, as empresas apostam que serão mantidas as vantagens de custo. "Historicamente, no final das contas, os aparelhos em GSM saem por 5% a 10% mais baratos do que qualquer outra tecnologia digital", diz o diretor de produto de comunicações pessoais da Motorola, Hilton Mendes.

Pela importância dos segmentos mais nobres de assinantes na estratégia das novas operadoras, a Motorola deverá oferecer no mercado nacional 90% de seu portfólio de handsets equipados com GPRS. Segundo Mendes, até o final deste trimestre a Motorola deverá fabricar os seus primeiros aparelhos GSM nacionais. De um total de seis modelos a serem fabricados aqui, dois já estão definidos, o V100 e o Accompli 6186 (um PDA).

Em termos de volumes de vendas, as empresas trabalham com diferentes expectativas. "Vai depender da estratégia a ser adotada pelas operadoras. Se forem privilegiados os heavy users, os valores a serem faturados sobem em detrimento do volume de aparelhos. Se o alvo principal for o pequeno usuário esta relação se inverte", explica Stark. O executivo estima, no entanto, que haverá três milhões de usuários do GSM no Brasil até o final de 2002. E em 2003, a tecnologia atrairá cinco milhões de novos assinantes.

A expectativa da GSM Association é de que o sistema deverá responder por um terço dos assinantes de telefonia móvel do País, a partir do momento em que as novas operadoras entrarem em cena, com base no mercado norte-americano. Se os cálculos estiverem corretos, isto pode significar mais de 15 milhões de celulares em cinco anos (atualmente, o Brasil conta com cerca de 22 milhões de celulares e o Paste prevê que, em 2005, este número chegue a 58 milhões).

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