Para todos os gostos e bolsos
Luiz Moura
Indústria aposta em sofisticação e preço baixo como principais
atrativos dos aparelhos GSM.
Os fornecedores de handsets trabalham com a perspectiva de que as operadoras de
SMP atacarão pelos dois extremos do mercado: tentarão atrair os clientes mais
rentáveis de operações já existentes com serviços sofisticados e exclusivos e,
ao mesmo tempo, buscarão com aparelhos básicos mais baratos os consumidores das
classes menos favorecidas, que ainda não têm um celular.
O principal apelo do GSM para os heavy users será o GPRS, tecnologia de
transmissão wireless por pacotes com a taxa teórica de 156 kbps, que abrirá
espaço para uma série de aplicações, unindo alta capacidade de transferência de
dados à mobilidade. O destaque deve ficar por conta dos serviços de localização
do usuário, como indicações de direções e de estabelecimentos comerciais para
motoristas, e de aplicações de m-commerce.
As operadoras também tentarão roubar das concorrentes os clientes mais
valiosos, especialmente aqueles que viajam mais, com maiores possibilidades de
roaming automático nacional e internacional. Por isso, já consta dos portfólios
planejados pelos fornecedores nacionais aparelhos triband (800 MHz, 1,8 GHz e
1,9 GHz), para cobrir todas as faixas de freqüências utilizadas
mundialmente em GSM, e dual mode GSM e TDMA, para roaming com operações
nacionais e estrangeiras que usem esta última tecnologia.
Para os usuários com menor poder aquisitivo, principalmente os potenciais
clientes de serviços pré-pagos, a vantagem a ser explorada será o preço mais
baixo que os das tecnologias TDMA e CDMA, devido à maior escala de produção
mundial no GSM. Mesmo com as bases produtivas ainda no início de operações no
Brasil, os handsets sairão das fábricas a custos inferiores aos das tecnologias
concorrentes, garantem os fornecedores.
"A economia de escala atua nos insumos. Os conjuntos de chips usados nos
aparelhos GSM custam 20% a 30% menos que os de TDMA e CDMA", explica Paulo
Stark, diretor da área de terminais da Siemens.
É fato que o preço dos novos aparelhos no Brasil dependerá ainda de outros
fatores, como os volumes a serem produzidos e a produtividade das plantas
locais. Mas, de qualquer forma, as empresas apostam que serão mantidas as
vantagens de custo. "Historicamente, no final das contas, os aparelhos em GSM
saem por 5% a 10% mais baratos do que qualquer outra tecnologia digital", diz o
diretor de produto de comunicações pessoais da Motorola, Hilton Mendes.
Pela importância dos segmentos mais nobres de assinantes na estratégia das
novas operadoras, a Motorola deverá oferecer no mercado nacional 90% de seu
portfólio de handsets equipados com GPRS. Segundo Mendes, até o final deste
trimestre a Motorola deverá fabricar os seus primeiros aparelhos GSM nacionais.
De um total de seis modelos a serem fabricados aqui, dois já estão definidos, o
V100 e o Accompli 6186 (um PDA).
Em termos de volumes de vendas, as empresas trabalham com diferentes
expectativas. "Vai depender da estratégia a ser adotada pelas operadoras. Se
forem privilegiados os heavy users, os valores a serem faturados sobem em
detrimento do volume de aparelhos. Se o alvo principal for o pequeno usuário
esta relação se inverte", explica Stark. O executivo estima, no entanto, que
haverá três milhões de usuários do GSM no Brasil até o final de 2002. E em
2003, a tecnologia atrairá cinco milhões de novos assinantes.
A expectativa da GSM Association é de que o sistema deverá responder por um
terço dos assinantes de telefonia móvel do País, a partir do momento em que as
novas operadoras entrarem em cena, com base no mercado norte-americano. Se os
cálculos estiverem corretos, isto pode significar mais de 15 milhões de
celulares em cinco anos (atualmente, o Brasil conta com cerca de 22 milhões de
celulares e o Paste prevê que, em 2005, este número chegue a 58 milhões).
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